“Massa funkeira, não me leve a mal: Vem com paz e amor curtir o festival”. No que já era muito bom, ficou ainda mais evidente no festival que virou baile no berço da boemia. E atire o primeiro passo quem nunca embarcou na onda da dupla Danda e Taffarel em outras épocas. De letra fácil, conhecida e consagrada, o Rap do Festival foi apenas um entre os melhores funks antigos que arrebataram os corações, acompanhados ou não, na noite que antecedeu o dia dos namorados.

Nesse “jogo de emoção”, mais uma edição do Baile do Amor ferveu o Paiol 08, na Rua dos Arcos, no centro do Rio. Nem as temperaturas baixas deste sábado  (11) impediram que as massas funkeiras, charmeiras, do rap e do hip-hop se juntassem para continuar representando seu espaço, já bem democrático entre os frequentadores da Lapa. Com o setlist dos funks “do pistão”, dos embalos do Viaduto de Madureira e da start rap – um dos gêneros mais atuais, a noite do Baile viveu de muitos pontos altos do início ao fim.

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Quem chegava ao Paiol, logo se reconhecia entre as pessoas, dava o cumprimento aos amigos, e mantinha a energia vibrante a cada música. Sorrisos se encontravam, enquanto coreografias iam ganhando mais dançarinos. Difícil seria ficar apenas parado contemplando os dois ambientes da casa e evitando fazer coro. Sem anular o significado do evento, a conjugação do que é celebrar, transbordar e exalar foram além de todos os tempos verbais quando o assunto se chama amor: era o anúncio de uma noite que impediu que o brilho dos olhos apagasse. Tudo para dar conta daquilo que não tem explicação em uma noite

Há quem tenha aterrissado no Baile do Amor em outros destinos, mas para outros, será a primeira vez de muitas. Joyce Pereira, 34 anos, aproveitou que já não saía de casa a algum tempo, e escolheu a Lapa por recomendação de uma prima e de amigos para comemorar seu aniversário. Não demonstrou qualquer arrependimento. “Foi uma mistura de sentimentos, vontade de voltar e estar feliz por ter tanta história pra contar. A cada música que tocava, me lembrava de cada coisa em questão de segundos”, relembra, em meio às recordações da sua adolescência, quando acordava cedo para arrumar a casa aos domingos sob a condição de conseguir seu “passe livre” para sair.
Apesar do frio, a noite foi recheada de sensações calorosas entre os DJs, os apresentadores e o público. Mais ainda para o DJ Michell, que tocou pela segunda vez no evento. “Fiquei muito surpreso, pois a outra edição que toquei foi em outro espaço e tive uma recepção diferente do público. Nessa edição, tudo estava melhor, o local, a energia… Quase que não saí para outro compromisso”, diz, entre risos. Ele, que fora das casas noturnas volta a ser Michel Jacob, sabe equilibrar bem a vida pessoal com a agenda de eventos intensa. “Durante a semana, consigo dar atenção à família e ao meu filho recém nascido. Tiro algumas horas do dia para estudar também, pois DJ precisa se dedicar”.

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Baile “sustentável” para todas as tribos

Em meio aos looks coloridos, batons de todas as cores, dos chapéus e dos acessórios que não passaram despercebidos, o público contribuiu com toda a beleza da representatividade e do empoderamento para curtir o Baile do Amor. O que não foi tão diferente da decoração do Paiol, um detalhe também à parte. Do teto até às paredes da varanda, pallets, caixas de feira, garrafas e lonas, alternando entre cores quentes e frias, conversavam facilmente com o lounge de bancos suspensos como balanços, sofás, cadeiras, bancos e mesas. Após longo planejamento e seis meses de execução, o espaço de música e gastronomia ganhou ares de sustentabilidade em todos os seus ambientes, aprimorando também, o acesso a deficientes físicos.

Uma vez que a soma do simples com o sofisticado podem resultar em um local integrado e excêntrico, a singularidade era a palavra de ordem que o produtor Rodrigo Oliveira precisava para se motivar. “A ideia surgiu porque sempre ia nas festas e só tocava Black ou somente funk com pagode. Queríamos curtir somente a parte animada da festa. Daí, fomos aperfeiçoando o evento”. Mesmo entre outros projetos, ele não abre mão de cuidar de todos os detalhes. “O Baile do Amor é o filho que mais gosto atualmente. Sei de tudo que rola e faço questão, nada melhor do que ver o resultado das pessoas felizes e curtindo sem moderação”.

Baile do Amor4A sensação sempre é diferente para quem produz e administra o evento, pois a cada edição acontece algo novo – nesta edição, a “cabaninha do amor”, um cantinho introduzido no Baile que testemunhou encontros mais reservados. Não só pelas novidades, o ânimo do público presente sempre deixa em Rodrigo o sabor de quero mais. Em outras edições do Baile do Amor, o produtor promete quebrar a banca. “Foi demais. É gratificante receber todo esse carinho que o baile tem”. Enquanto a próxima não chega, ele aproveita para render elogios ao Paiol 08. “Uma casa linda, com funcionários competentes e de um grande amigo que faz tudo para nos ajudar. São parceiros mesmo”, completa.

Paiol 08: rota de fuga do tradicional

Na troca de olhares com o Circo Voador, de braços dados com a Fundição Progresso, e aos pés dos Arcos da Lapa, o Paiol 08 proporciona a todo tipo de público, uma experiência única. Desde janeiro, nomes como Reinaldo, Projota, Leandro Sapucahy, Thiago Martins (com a nova roupagem no Balanço do TG) intercalam com o clima do trio samba/capoeira/jongo do “Samba do Chapéu”, entre as cervejas de garrafa, petiscos, música ao vivo e DJ nos intervalos do “Barzinho do Paiol” e as referências no “Samba do Paiol”, num espaço que abriga desde um happy-hour até as festas mais antenadas da cidade.

Nos dias 17 e 18 de junho, a casa receberá o “Samba sem Fronteiras”, promovendo um encontro entre o reggae e o samba, e o “Retrôzinho”, de autoria do grupo Numa Boa, relembrando, com saudades, os pagodes dos anos 90. Ambos reforçam não só o universo sem barreiras que é o samba, mas o amor que mora nas casas noturnas, nos becos, nas vielas e nas ruas, que também reside no mesmo bairro de todos os ritmos.

+ informações: http://www.paiol08.com.br/ e https://www.facebook.com/bailedoamor

Pela Rua: sempre embalando no que a rua tem pra mostrar!