Iiiiiiiiiiiits time! Salve, salve, teoremistas de plantão, finalmente chegou a hora da minha estreia no Estreias! E nessa minha primeira vez fui conferir junto com a Casty Mais forte que o mundo, o filme inspirado na vida do José Aldo e que entra em cartaz a partir de amanhã. Antes de iniciarmos os trabalhos, preciso dizer que se mesmo depois de O auto da compadecida, Central do Brasil, os dois Tropa de Elite e Que horas ela volta? ainda te resta alguma implicância com o cinema nacional, chegou a hora de você rever seus conceitos. Ok, que a gente produz porcaria, mas Hollywood também não vive só de sucessos, né? (vide o recente 50 tons de cinza que é horroroso do início ao fim). Tá na hora de parar de pagar pau pra gringo e prestar atenção no que rola dentro de casa.

Agora sim, vamos lá: os pontos aqui abordados nasceram da minha análise com Casty, apesar de só um dos dois ter chorado no final, a gente concordou em todo o resto. Talvez você não saiba, ou lembre, mas esse filme seria lançado em janeiro, só que em dezembro do ano passado, numa luta de 13 segundos, o Aldo perdeu o cinturão dos penas para o McGregor. Aquele realmente não era um bom momento.

Mais forte que o mundo é de Afonso Poyart o mesmo cara que dirigiu o maravilhoso 2 coelhos, e a gente tem que jogar flores no caminho desse sujeito daqui pra frente. As cenas de luta são tão perfeitas, mas tão perfeitas, que não ficam devendo nada a Nocaute, por exemplo. Apesar de estar repleto de tabefes (é a história de um lutador, nem tinha como ser diferente) este não é um filme de “porrada”, existe sim uma puta história a ser contada e você não precisa ser fã de UFC pra gostar. A princípio a vida do José Aldo não se difere tanto da de dezenas de outros brasileiros que fizeram sucesso. Jovem pobre com infância difícil, vai pra megalópole e com base no seu talento consegue vencer. Sabe qual o problema dessa história meio clichê? É uma boa história, e a gente ama boas histórias. Essa ainda é incrementada com a conflituosa e intensa relação que Aldo mantém com o pai alcoólatra.

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O José Loreto tá incrível, sério, é a melhor atuação da sua carreira (o que não é elogio nenhum já que na TV ele só teve papel tonto). O maior problema em interpretar alguém que existe é que o ator não cria um personagem, ele não tem liberdade para atribuir trejeitos, nem peculiaridades, pois corre o risco de se tornar ridículo ao se distanciar da vida real. O que facilita o trabalho de Loreto é que o filme mostra o outro lado do José Aldo que conhecemos, explorando a vida pessoal, a família e a história difícil. Um dos pontos fundamentais do roteiro era a enorme quantidade de carga dramática em cima do personagem principal e, pasmem, José Loreto não decepciona.

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Se a gente vai falar de atuação temos que nos estender aos coadjuvantes, né? Eles estão corretos, ponto. Casty sentiu falta de um maior aprofundamento no personagem da Cleo Pires (Vivi, mulher do Aldo) e Milhem Cortaz (Dedé, treinador), mas isso é muito mais questão do roteiro, que só dá espaço para o protagonista brilhar, do que deficiência dos atores. Robson Nunes (que fez o Tim Maia) e Jonathan Haagensen, por exemplo, são usados praticamente como figurantes de luxo e isso não causa nenhum prejuízo à trama. Apesar do pouco tempo na tela, Cláudia Ohana (mãe do Aldo) e Jackson Antunes (pai) são perfeitos, mas isso é meio redundante, dado o calibre dos dois. Por último, talvez você esteja meio curioso sobre a atuação do Rafinha Bastos (sim, ele está no filme), dentro da zona de conforto, o humorista também não compromete. Interpretando o amigo que recebe José Aldo no Rio, Rafinha tem a função de ser o alívio cômico da trama (o que é muito bem-vindo depois do início denso, denso, denso).

Essa é a minha primeira crítica, mas aprendi com a vida que é proibido dar spoiler (ainda mais de um filme que nem estreou). Então prefiro destacar os pontos em que você deve tirar a mão da pipoca e prestar atenção na tela. Primeiro a gente tem que voltar a render homenagens à direção e ao roteiro. A licença poética tirada em alguns momentos só contribui pra arredondar ainda mais a história. Falando em coisa redonda, em quase 2 horas não existe nenhuma barriga. Pra quem não sabe, a “barriga” é aquele momento do filme em que a gente tem vontade de descer pra tomar um Ovomaltine, porque não tá acontecendo rigorosamente nada. Outra coisa em que você deve ficar muito ligado é a forma escolhida para representar os demônios do Aldo. Além disso tem uma cena de luta na chuva, uns momentos meio videogame (quem já jogou UFC vai entender o que estou falando) e uma trilha sonora cantada por Lorde que casa perfeitamente com a história.

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Então é isso, crianças, corram para o cinema pra ver Mais forte que o mundo, porque tem o famosíssimo selo ‘Salve Casty’ de qualidade (que é muito melhor do que o bonequinho do Globo). Quando chegar em casa não esqueça de mandar sua opinião pra gente! Tchaau.