Depois de três anos, dois meses e cinco dias do anúncio de uma nova aventura no mundo bruxo, finalmente ANIMAIS FANTÁSTICOS E ONDE HABITAM estreia nas salas de cinema do mundo todo.

E aí, você amigo teoremista, pode me perguntar: mas Marlon, do que se trata essa história? O que esse monte de bicho tem a ver com Harry Potter? Quem são os protagonistas?

Vem comigo que eu explico 😉

Nem todo mundo lembra, mas ANIMAIS FANTÁSTICOS é o nome de um livro ‘didático’ utilizado pelos alunos de Hogwarts. Escrito por Newt Scamander, protagonista da nova série de filmes, o livro é uma espécie de enciclopédia com todas as criaturas mágicas que habitam o mundo bruxo.

Na trama, Scamander, interpretado por Eddie Redmayne, chega a Nova Iorque dos anos 1920, portando uma mala cheia dos animais que dão nome ao filme. Quando um dos bichos escapa, o magizoologista (demorei muito pra aprender esse nome) acaba trocando a sua mala com a de Jacob Kowalski, interpretado por Dan Fogler, um novaiorquino que sonha em abrir uma confeitaria.

É preciso avisar, teoremistas, que a Nova Iorque dessa época é completamente diferente da Londres atual, onde se passaram os eventos dos oito filmes da saga original de Harry Potter. Aqui, a sociedade bruxa vive oculta do mundo humano, temendo uma caça às bruxas. E com razão, existe um núcleo do filme que anseia por uma Nova Salém, com o extermínio da atividade bruxa no mundo. Nesse núcleo encontra-se Credence, personagem de Ezra Miller, que tem uma importância gigantesca na história.

É curioso ver a diferença entre o uso da magia nesse filme e na saga principal. Em vários momentos nos reencontramos com os feitiços já conhecidos, mas também somos surpreendidos com feitiços bem simples como uma magia que emula um guarda chuva, por exemplo. Assim como na vida real, a sensação que fica é a de que o bruxa novaiorquino “se vira” para sobreviver a cidade mais movimentada do mundo.

Se durante as semanas que antecederam a estreia do filme imaginamos que nosso trio querido (Harry, Hermione e Rony) faria falta, fomos surpreendidos com um quarteto protagonista fantástico. Além de Scamander e Kowalski, as irmãs Tina e Queenie Goldstein completam o grupo principal. Tina é uma ex-auror, que perdeu seu cargo devido a uma besteira que cometeu no passado. Já Queenie é uma legilimente, nome dado aos bruxos que tem a habilidade de ler mentes. Os quatro são tão carismáticos que é possível perceber trejeitos dos antigos personagens neles. Em certos momentos a Tina é tão sagaz quanto a Hermione, o Kowalski tão fanfarrão quanto o Rony e por aí vai.

J K Rowling assina o roteiro e é possível perceber o dedo da criadora em cada detalhe em cena. Desde uma simples briga de ratinhos de papel que aparecem em um plano detalhe, em determinado momento do longa, até a construção impecável dos personagens que nos fazem nos questionar como é que podemos sentir tanta empatia por personas que comecemos a tão pouco tempo.

David Yates, que também dirigiu os quatro últimos filmes da franquia Harry Potter, retorna ao seu posto. Dessa vez, o diretor parece ter acertado a mão na dosagem entre drama e humor, nos presenteando com um filme equilibrado e imageticamente muito bem construído.

ANIMAIS FANTÁSTICOS E ONDE HABITAM é um prequel, ou seja, um filme que preserva a dinâmica da trama original, mas que acontece antes dela. O que vemos na tela, são as descobertas que levaram Newt Scamander a escrever o livro didático que as crianças de Hogwarts utilizam para estudar. Só que, ao decorrer da história, vamos nos deparando com diversos nomes que nos fazem imaginar que Scamander não tem só uma importância na magizoologia, mas também na História do Mundo Bruxo.

Com uma linguagem mais adulta, mas ao mesmo tempo mantendo toda a magia já característica da franquia, temos aqui um excelente primeiro capítulo para uma nova saga de filmes que promete revelar muitos mistérios a respeito de todo o universo Harry Potter. Vale o ingresso!