E ai meus leitores teoremistas, como estão?! Hoje trago para vocês um livro com uma mensagem muito importante nesse mundo louco em que estamos vivendo. Borá lá?

Os 13 Porquês é um livro que trata como principal assunto o suicídio, mas também aborda outros temas como o bullying, abuso sexual, depressão, mentiras e o impacto que cada um pode causar na vida de outro, apesar de algumas razões possam até parecer bobas elas acabam tornando tudo uma gigante bola de neve.

No inicio do livro, Clay Jensen chega em sua casa e encontra uma caixa, ele abre e nela tem 7 fitas com os lados numerados de 1 a 13, então ele vai para a garagem e coloca a primeira fita para tocar e ele se surpreende com o que ouve: a voz de Hannah, uma garota que havia se suicidado poucas semanas atrás. Na primeira fita ela informa que irá contar os 13 motivos que fez com que ela se matasse e como ele estava ouvindo acabou descobrindo que ele foi um dos motivos. Então assim, ele terá que ouvir todas as fitas e passar para o dono do motivo depois do seu e se as fitas não forem passadas elas aparecerão para todos ouvirem.

“Era exatamente isso que eu queria para mim. Queria que as pessoas confiassem em mim, apesar de qualquer coisa que tivessem ouvido. E, mais do que isso, queria que me conhecessem. Não aquilo que pensavam saber a meu respeito. Mas eu de verdade.”

Ouvindo as fitas ele passa a entender os motivos que justificaram o ato que Hannah cometeu e ganha a oportunidade de saber os segredos mais íntimos dela. Hannah conta tudo o que passou: as desilusões, decepções, constrangimentos, magoas e sofrimentos que acabaram fazendo com que ela cada vez mais se transformasse em uma garota depressiva e aos poucos começasse a ficar obcecada pela ideia da morte.

“Uma pessimista? Uma otimista? Nenhuma das alternativas. Uma idiota.”

A narrativa e certas situações do enredo são bem adolescentes, mas isso não torna a leitura fraca e desinteressante, pelo contrário, situa você melhor no universo dos personagens, suas emoções em cada situação, muitas tão corriqueiras em filmes de comédia sobre a vida colegial que chega a ser pesado identificá-las como causadoras de um final tão triste, sobre como encaramos as coisas que fazem conosco, como lidamos com nossos medos, nossos traumas, nossas dúvidas e desesperos. O fato de acontecer com uma adolescente não torna a história infantil, mas ainda mais real porque todos nós já passamos por algo do tipo, seja qual for a perspectiva.

“Eu não esqueci. Se há uma coisa que ainda tenho é memória. O que é péssimo. Se eu esquecesse as coisas de vez em quando, todos nos estaríamos um pouco mais felizes.”

Por alguns momentos questionei se aqueles motivos eram realmente fortes o suficiente para levar alguém ao suicídio, alguns eram, outros não. Mas ao ver a coisa como um todo, acabei por compreender a história de Hannah, e muitas vezes me identificar com algumas situações. Muitos dizem que ela se matou por que quis, e procurou por motivos para justificar, e sim, ela mesma afirma isso. Ao tentar me colocar no lugar dela, acredito que me sentiria da mesma maneira, talvez procurasse ajuda, talvez não, impossível saber. Muitas coisas aconteceram com ela, ela perdeu a capacidade de confiar em alguém, pois em todas as vezes que isso acontecia, ela se frustrava.

É livro bem escrito, a capa é muito legal, pois tem tudo a ver com a história. Apesar da narrativa ser um pouco dramática em alguns momentos, a história de Hannah foi algo bem construído, porque segundo o autor, e eu concordo plenamente, o fato da Hannah narrar os 13 motivos para seu suicídio faz com que nos tornemos parte dela e possamos sentir na pele como é a sensação de presenciar um crime e ficar calado, ou perder a confiança em alguém, porque bem diferente de ouvir que Hannah Baker se suicidou porque estava no topo da lista da “Melhor bunda do primeiro ano” é ouvir a própria Hannah narrando, dias antes de morrer, as consequências dessa lista a qual ela não queria estar.

A Netflix vai adaptar o livro “Os 13 Porquês” em uma minissérie de 13 episódios com Selena Gomez como produtora executiva, o roteiro é de Brian Yorkey, vencedor do Prêmio Pulitzer. É uma história que trata de uma temática séria, real e atual, mas sem aquela lição de moral explícita e chata, comum nesse tipo de livro: o tipo de história que me faz repensar cada ação minha e o que ela pode ter influenciado na vida das pessoas, pois uma coisa que pra mim é mínima pode ser enorme para outra. E se você quer descobrir os motivos do suicídio de Hannah aperte o play e deixe que ela conte a história 😉