Como vão, teoremistas leitores? Hoje trago para vocês um dos meus achados em termos de trillher policial. Apontado como a “Agatha Christie” da nossa geração, Toni Hiil nos apresenta um mundo aparentemente perfeito na superfície, mas com segredos sórdidos no fundo. Vem comigo?

Héctor é um policial que sempre fez um trabalho de excelência, até o dia em que perdeu a razão e espancou um suspeito por tráfico de mulheres. Dada as circunstâncias, ele é forçado a tirar férias. Quando retorna, seu superior passa-lhe um caso extraoficial: suspeita do suicídio de Marc Castells, um garoto de uma família importante. Para isso ele terá a ajuda de Leire Castro, a nova investigadora. O caso foi dado como suicídio, ou acidente, mas a mãe de Marc não aceita o fato e continua insistindo para que investiguem. Então o inspetor Salgado vai, mesmo contra a vontade, investigar o caso a fundo para descobrir se foi mesmo um acidente que levou Marc à morte. Só que a investigação vai acabar levando o inspetor e a investigadora a um acontecimento de muitos anos antes, quando Marc era apenas um garoto, e sua amiga Iris se afogou na piscina. Aparentemente, Marc não se esqueceu disso, e estava determinado a provar que a garota não tinha simplesmente se afogado, que algo a mais tinha acontecido, que iria encontrar o culpado e não iria medir esforços para conseguir.

“As bonecas ao seu redor, como uma corte macabra. Imagens que acreditava ter esquecido, mas que agora, desde essa tragédia recente, o perseguiam com mais força do que nunca.”

O livro é um policial dos bons, não daqueles em que o protagonista é durão e resolve tudo na pancada (embora Héctor distribua uns tabefes em um e outro que certamente merecem) mas daqueles de detetive no qual o leitor descobre pista por pista toda a verdade por trás dos fatos, daqueles que têm a dose certa entre a investigação policial e a vida pessoal bagunçada dos personagens (e claro, a gente adora quando eles têm vidas interessantes; nada mais enfadonho do que personagem raso). A narrativa é em terceira pessoa, com a maior parte acompanhando a visão de Héctor, mas os outros personagens também têm sua voz representada. O autor escolheu abrir bastante o leque para que pudéssemos nos posicionar em frente ao suspense apresentado e tirarmos nossas próprias conclusões quanto à trama.

” Sabe de uma coisa? O pior de tudo é que não consigo imaginar ninguém desse caso como um assassino. São todos muito educados, muito corretos, estão preocupados demais com as aparências.”

O passado dos personagens que continuarão na série, bem como os fatos de seus presentes são bem apresentados, dão um ótimo fundamento e nos atiça a curiosidade para continuar a leitura da série. Durante todo o enredo são apresentados novos fatos. Toni Hill constrói o texto como um quebra-cabeça e isso faz com que a visão do leitor mude a cada novo fato apresentado. A linha de duas investigações correndo juntas também é bem apresentada, com toda a investigação ficando clara para o leitor.

A boneca da capa é a referência a um trecho do livro. Na verdade tem tudo a ver com a história. Digamos que a boneca é o início de toda a trama, de onde parte todo o resto. E apesar de ter medo da capa, a imagem nela traduz perfeitamente o contexto da história. Confesso que depois que tomei conhecimento do segredo por trás dessa imagem, fiquei muito comovida.·.

“A culpa não é expiada, ela é carregada.”

O final do livro (na realidade há dois finais, mas um deles) aponta para um desdobramento no segundo livro: Os Bons Suicidas. O suspense criado é psicológico e a ponto de nos levar por altos e baixos em uma investigação com toques de mistério macabro e segredos sórdidos, que prende a nossa atenção o tempo todo. O que parecia ser apenas uma investigação de rotina para Héctor Salgado e Leire Castro acaba se transformando num terrível pesadelo do qual eles tentam emergir.