Et coetera é uma expressão originada do latim, que aportuguesada virou etcétera, e abreviada pode ser reduzida simplesmente a etc. O empoeirado mini Aurélio que tenho aqui em casa ainda diz que o Et significa “e” e o coetera remete a “outras coisas”. Dessa forma, et coetera teria o sentido de “e o resto”, “e outras coisas”, “assim por diante”. A palavra que, pasmem, pode ser utilizada como locução ou advérbio, sabe Deus o que isso signifique, também serve como nome de banda. Nome de banda boa.

A primeira vez em que tive contato com a Etcoetera foi no mês passado, enquanto peneirava algumas das muitas bandas que se inscreveram no WebFestValda desse ano (falando nisso, as inscrições se encerram na semana que vem, dia 10). Era impossível não ser impactado pelo vídeo. Além de uma música que esbanja positividade, as tomadas milimetricamente calculadas, a ambientação criada pela decoração do palco e pela iluminação, e a multidão que cantava junto, davam uns ares de megaprodução às imagens.

Se você não estiver no Wi-Fi, Ana Rosa vale cada um dos MBs do seu pacote de dados.

Formada em agosto de 2011, a banda é de Juiz de Fora, município da Zona da Mata mineira, e conta com Eduardo Fávero (voz e violão), Vinícius Vieira (baixo) e Felipe Balut (bateria). A Etcoetera é independente, mas está longe de ser pequena. Tem 42 mil fãs no Facebook, emplacaram música nas rádios e TV da cidade natal, e já dividiram palco com Capital Inicial, Criolo, Natiruts, Paralamas do Sucesso, Gabriel O Pensador, Carrossel de Emoções e até Michel Teló. Para quem está de fora, toda essa badalação em tão “pouco tempo” de estrada pode parecer estranho. Quem está dentro sabe que foi necessário suar bicas.  

“A partir do dia que a gente começou nunca demos um hiato. Foi o tempo inteiro. Gravamos uma música, outra música, outra música, CD, vídeo. Nunca foi uma coisa mais ou menos, a gente sempre levou a sério” – Vinícius Vieira.

Da esquerda para a direita: Balut, Eduardo e Vinícius. Juntos desde muito jovens, a Etcoetera nasceu através de um amigo em comum dos rapazes, o gaitista, que chegou a participar por um período do projeto.

Da esquerda para a direita: Balut, Eduardo e Vinícius. Juntos desde muito jovens, a Etcoetera nasceu através de um amigo em comum dos rapazes, o gaitista, que chegou a participar por um período do projeto.

“É um dia a dia de trabalho mesmo. Cada oportunidade é muito importante, assim que você tem que enxergar. Às vezes aquilo que você julga pequeno, você olha para aquela oportunidade e fala ‘não vou fazer isso’, tem que ir lá e fazer. Eu acho que a gente conseguiu construir essa gordura dentro de Juiz de Fora assim, aproveitando toda oportunidade” – Eduardo Fávero.

Por oportunidade vocês entendam que os meninos se referem a barzinho, festas universitárias, eventos, casas de show e por aí vai. Se a vida de uma banda independente não é das mais fáceis, quando ela está fora do circuito “tradicional” as coisas tendem a ficar mais complicadas ainda. Depois de conquistar quase tudo que era possível em Juiz de Fora, e em busca de contatos que possam levar o seu som a novos ouvidos, a Etcoetera vem cada vez mais marcando presença no Rio de Janeiro.

Show que aconteceu no domingo, 30/04, em um hostel aqui do Rio.

Show que aconteceu no domingo, 30/04, em um hostel aqui do Rio.

Foi em Santa Teresa, nesse ao vivo super intimista, que o Teoremas trocou figurinhas com os mineiros. Um dos principais objetivos, obviamente, era tentar entender de que loucura surgiu o nome da banda. Lendo pela primeira vez a gente engasga uma ou duas vezes antes de pronunciar “etecoetéra” (errado), “etecoêtera” (errado novamente) e “etecoétera” (ufa, finalmente certo). Antes da aula de latim do primeiro parágrafo, você pode ter imaginado que era um “etcétera” com a gíria “coé” no meio (meu caso), ou só de ouvido achado que era um “etco” + “hétera”, o feminino de “hétero”, como se essa palavra existisse (caso de um amigo). Não é um nome muito fácil de falar, nem de explicar. É por isso que além da mudança para o Rio, os próximos meses prometem uma verdadeira revolução na banda. O complicado Etcoetera vai dar lugar ao Etcétera. Além do nome, muda também a identidade visual, o site, os endereços e as redes sociais. Só duas coisas continuam as mesmas: a formação e o som.

Em plena metamorfose, a Etcoetera está mudando de nome para Etcétera.

A raiz, entre outras coisas, está no reggae, no samba, no rock, na mpb, no funk e no pop. O som é etcétera, mistura de vários ritmos que se unem para inundar o corpo de quem ouve. Lembra um pouco Skank, é verdade, mas também Natiruts, Onze:20, Bob Marley… Impossível definir, limitar. Pode parecer clichê, mas realmente não rola de ficar parado. Se no CD, que tem até bossa nova, já acontece no mínimo um tamborilar de dedos, imagine ao vivo. Em Santa Teresa só o bis durou 35 minutos.

As canções, composições coletivas que nascem a partir da convivência entre os integrantes, devem muito em breve ser reunidas em um novo projeto. A agora Etcétera prepara clipe, EP e shows em Minas e no Rio. Para ficar por dentro de tudo o que vai acontecer, a gente preparou a listinha abaixo:

Redes sociais: Facebook, Twitter e Instagram.  

Youtube: youtube.com/bandaetcoetera

Site: etcoetera.com.br

Onde ouvir: Pode ser no CD físico, no site, no Spotify, no Deezer e no iTunes;

Próximos shows: 06/05 – Escadaria da Câmara Municipal de Juiz de Fora; 27 e 28/05 – Tijuca – Rio de Janeiro; e 03/06 – Cultural Bar – Juiz de Fora.