Faltam apenas quatro dias para o WebFestValda 2017 e o Teoremas de Bar já está em contagem regressiva. Nas edições passadas, nós fizemos uma pequena apresentação das 20 bandas selecionadas para o festival (você não viu? Clique aqui e aqui) e relembramos duas bandas que fizeram sucesso em edições passadas (aqui e aqui). Agora, a “Independentes, Graças a Deus” vai aprofundar três bandas que estarão no palco da Fundição Progresso nos dias 7 e 8 de julho junto a Pitty, Maneva, Onze20 e Monobloco. Com vocês, o carioca Caio Correa, a cantora e atriz Mari Blue e a banda potiguar Seu Ninguém.

Caio Correa e o Baque

Caio Corrêa consegue se reinventar. Com a pausa na Scracho em 2015, ele logo entrou em estúdio e gravou o seu primeiro álbum solo. Muiraquitã foi lançado em 2016 e rende bons frutos ao carioca. Agora, ele, Pedro Carneiro, William Lage, Uirá Bueno e Tomás Tróia, que integram o Baque, seguem divulgando esse disco. Eles se apresentarão no palco do WebFestValda no sábado, no dia 8 de julho.

Caio Correa e o Baque

Com a ideia de produzir um álbum solo, Caio logo pensou em chamar Pedro Carneiro para ajudá-lo nessa nova fase. Eles já se conheciam há anos e haviam se reencontrado na produção do último disco da Scracho. Em seguida, foram chegando os demais integrantes que gravariam o CD Muiraquitã com ele.

“A gente começou a ensaiar despretensiosamente para fazer o show de lançamento. A principio, a banda não tinha nem nome, eles estavam me acompanhando como Caio Correia em carreira solo. Mas aconteceu uma coisa tão maneira que a gente falou ‘cara, vamos fazer disso uma banda mesmo, instituir isso como um projeto musical mesmo’ e assim surgiu Caio Correa e o Baque”.

Muiraquitã contém faixas que foram escritas por Caio ao longo de sua vida, mas que não se encaixavam dentro da proposta da Scracho. Ele chegou ao estúdio sem banda, só com as músicas compostas e o ”disco foi produzido do zero, junto com o Pedrinho. Eu toquei de tudo”. No início, a ideia era fazer algo mais acústico com influências de Lenine, por exemplo, mas Muiraquitã se caracteriza por apresentar elementos eletrônicos e fazer um som plural. É possível encontrar canções que falam de amor, mas também músicas que tocam na ferida, tratando de questões e mazelas sociais.

“Pra mim, é fundamental e acho que a arte, de forma geral, tem condições de chegar às pessoas de uma forma muito sincera. Na minha opinião, qualquer um com alcance popular tem uma responsabilidade social. Nas minhas redes sociais, eu tento expor minha opinião de forma não agressiva como deve ser. É importante para nossa sociedade porque o maior problema é a educação e grande parte de nossa cultura prega que tudo é festa e a gente não pode considerar que seja tudo festa. A festa tem que acontecer, mas junto tem que ter organização e uma comunhão de bens no melhor sentido da palavra. Nós vivemos em uma sociedade (…) A gente é dono da mesma coisa e essa coisa é a vida, o nosso planeta, as nossas pessoas, o amor.”

Durante a entrevista, Caio falou sobre o amadurecimento de sua carreira após os mais de 10 anos ao lado de Diego Miranda e Debora Teicher na Scracho.

“O Scracho foi a minha vida desde os 14 anos até os 28, uma vida inteira de Scracho. Eu encontro o Diego e a Debora quase todos os dias, eles ainda são meus irmãos, melhores amigos, mas com a decisão de dar uma pausa, a gente reavalia muita coisa. Hoje em dia, eu sou uma pessoa diferente, eu tenho um gás que no Scracho, aquilo já estava a tantos anos de uma forma comum, que nós começamos a depositar nos outros a chance de ter alguma coisa nova. Hoje em dia, eu vejo que só depende de nós e eu tenho certeza que evoluí muito como pessoa. Uma coisa que eu aprendi é que não existe uma verdade e ela tá certa, a gente tem que respeitar e seguir em frente e lutar pelo nosso cada vez mais sem parar, se agente não fizer, ninguém vai fazer.”

Ele destaca ainda a busca pelos nossos sonhos e mensagem que passa uma frase do Emicida que diz “meu irmão, você é o único representante do seu sonho na face da terra, se isso não fizer você correr, chapa, eu não sei o que vai fazer” e o trecho de uma música sua que ainda nem foi lançada “o caminho é o segredo do sucesso”. No próximo dia 8, ele apresentará a canção O Caldo no Palco da Fundição, mas eu deixo aqui a canção Sítio Forte em uma linda versão ao vivo.

Mari Blue

Na primeira matéria sobre os 20 selecionados para o WebFestValda, você pode conhecer um pouco da carreira da cantora, compositora e atriz Mari Blue. Ela segue divulgando o CD Fruto da Flor em um show pensado nos mínimos detalhes. No entanto, o Teoremas esteve presente em um novo projeto de sua carreira chamado #acasamuda, no qual somente as pessoas que reservam seu lugar, sabem onde é o endereço do show. A foto abaixo mostra um pouco sobre esse projeto misterioso da mineira radicada no Rio há anos.

Federico Puppi e Mari Blue no evento #acasamuda. Créditos: Babi Furtado / Guido Lima (edição)

Em um aconchegante apartamento, Mari Blue recebeu seus fãs e amigos para o show Duo Dois no projeto #acasamuda com o violoncelista Federico Puppi no dia 14 de junho. Se já conhecíamos as suas habilidades cantando, atuando, tocando teclado e compondo, podemos ver Mari atacando como cozinheira. Ela me recebeu de avental, pois estava finalizando o jantar que seria servido após o show. Nesse projeto, as pessoas experimentam um prato vegano e cada pessoa marca em sua própria comanda o que está consumindo, “é na base da confiança”.

“A gente quer propor novas formas de fazer shows na cidade, utilizando espaços como esse [um apartamento] que não são espaços para shows acontecer. Hoje, vocês estão na minha casa, mas pode ser que esse evento ocorra em lugares diversos. Se alguém tiver a ideia de levar para casa de vocês, nós estamos super abertos porque a gente acredita que a música e as propostas precisam se desenvolver. Está tudo muito pessimista por um lado e, por outro, tem muitas coisas acontecendo, então, isso aqui é uma resistência mesmo ao que esta acontecendo.”

As pessoas se sentiam tão em casa que podiam tocar e cantar após o show de Mari e Puppi, utilizando os instrumentos que estavam na casa. “A gente quer que vocês realmente se sintam bem, ouçam essa música e participem. Depois, se quiserem subir nesse palco para tocar e cantar, fiquem super a vontade mesmo. Nós somos Duo Dois, violoncelo e voz, e nós fazemos releituras de músicas que vocês já conhecem. A gente procura novas visões para essas músicas”.

Essa foi a 2° edição de #acasamuda e Mari Blue pretende continuar e expandir o projeto, chamando outros músicos. A setlist é bem variada, pois vai de Chico Buarque a Arlindo Cruz, passando por Cartola, Paulinho Moska e Lobão. Já as músicas mais cantadas pelo público foram Dancing Days (As Frenéticas), Jack Soul Brasileiro (Lenine), Borboletas (Victor e Léo) e I Heard It Through The Grapevine (Marvin Gaye).

O italiano Federico Puppi e Mari Blue receberão a companhia do guitarrista Mário Wamser, do baixista João Cantiber e do baterista Gabriel Barreto no WebFestValda no dia 8, a segunda noite do festival. Juntos, eles apresentarão a música Putrefato, canção de Mario Wamser, uma música forte e que dialoga com o momento atual do mundo. Além disso, haverá também um cover de Gonzaguinha. Para finalizar, eu deixo aqui a música O Credo que teve uma versão ao vivo lançada no canal da Mari Blue no YouTube há algumas semanas.

Seu Ninguém

Diretamente de Natal/RN para o Rio de Janeiro, a galera da Seu Ninguém promete agitar o palco da Fundição com muito rock. Com amigos em comum, eles se uniram a partir do desejo que cada integrante tinha de montar uma banda. Assim nasceu a banda Seu Ninguém, composta por Luana Alves (voz e escaleta), Luan Régio (guitarra e voz), Salomão Henrique (guitarra e teclado), Erick Silva (baixo), Ítalo Alves (bateria) e Matheus Ribeiro (Teclado e guitarra). Todos conciliam a música com outros estudos e trabalhos.

Luan Régio, Erick Silva, Matheus Ribeiro, Luana Alves, Ítalo Alves e Salomão Henrique.

O nome da banda veio de um insight da vocalista a partir de um pensamento solto quando a frase “você não deve nada a seu ninguém” veio à cabeça dela. Com o tempo, outros significados e histórias se agregaram ao nome, construindo uma identificação forte com o nome.

Com apenas dois anos de formação, eles já alcançaram altos voos pelo estado em que eles vivem. Agora, eles chegam a outras regiões como o Rio de Janeiro para o maior festival de bandas independentes do país.

“A gente sempre fica com a expectativa de espalhar nosso som para o mais longe possível, mas na medida em que a banda foi tomando forma, não esperávamos que nossas músicas fossem chegar a outros estados do país em um período tão curto. Especialmente porque houve um intervalo de um ano entre o lançamento do single Dia Frio e o EP Arrojo, o que limitaria a exposição do nosso trabalho, mas as coisas continuaram girando nesse período. Só podemos dizer que essa receptividade é gratificante”.

A banda possui influência do rock brasileiro dos anos 80 como Paralamas do Sucesso e Titãs, além de artistas contemporâneos como Pitty, Rivera, a banda Scalene e Talma&Gadelha, um duo potiguar. Luan e Luana escutam muitas bandas estrangeiras também como Paramore e Stone Temple Pilots. Todas as particularidades se unem e formam o som da Seu Ninguém que pode ser ouvido no EP “Arrojo”.

”O EP serviu para definir os arranjos, dar a verdadeira identidade dessas músicas, e agradecemos muito ao Yves Fernandes (Camarones Orquestra Guitarrística), que produziu o trabalho junto com a gente, por ter sido fundamental nesse sentido. Cada integrante acaba escrevendo algo sozinho ou com outro membro da banda, e nos ensaios as músicas vão ganhando corpo. Por exemplo, Ítalo e Luana já escreveram várias músicas juntas, com Ítalo geralmente trazendo a base de uma letra e Luana complementando-a e fazendo a melodia; Erick escreveu Dia Frio sozinho, assim como o Luan fez Sua Canção de Amor. Mas sempre tem espaço para composições em conjunto e, mesmo quando isso não acontece, cada integrante bota suas ideias em cada música. Nós costumamos falar sobre experiências cotidianas, sentimentos, ideias, coisas que são bastante identificáveis para todo mundo, não tem mistério”.

Sobre o futuro, eles não revelam muita coisa, mas dizem estar “preparando novidades bastante especiais para este segundo semestre de 2017. Tá bom de aperitivos, né?”. Se eu fosse vocês que estão lendo essa matéria, não perderia o show deles na Fundição no dia 7 de julho.