O novo filme de Edgar Wright, Baby Drive (Em Ritmo de Fuga) estreou na última quinta-feira (21/07) em todos os cinemas do país. O longa acompanha a história de Baby, vivido pelo Ansel Elgort, um jovem motorista discreto que trabalha com diferentes ladrões de banco para pagar sua dívida seu chefe Doc, vivido pelo excelente Kevin Spacey.

Baby passa o tempo todo ouvindo música, devido a um zunido permanente resultante de um acidente trágico na infância que vitimou sua mãe. Apesar da pouca idade, o personagem é um monstro nos volantes. Após um assalto não sair como o planejado, Baby passa a viver em constante fuga enquanto tenta consertar as coisas e proteger as pessoas que ama, e a trama flui junto com a música nos ouvidos do personagem.

Apesar da tentativa do filme de fazer com que o público simpatize com o Baby, órfão e que cuida de seu tio adotivo surdo e paraplégico (CJ Jones), a trama nos parece “rasa”. Muito devido a edição ritmada e estilizada do filme. Não há espaço para drama.

O mesmo ocorre com os outros personagens. A escolha do diretor de focar a narrativa em Baby, deixa os outros personagens com motivações vagas. Apesar de nomes de peso no elenco, como: Kevin Spacey, Jamie Foxx, Jon Hamm e Eiza González. Mas calma lá, nem por isso o filme é ruim. É bom, e é muito bom!

É clichê? É. Mas é clichê pra quem?

Em Ritmo de Fuga reúne, sem constrangimentos, os maiores clichês da indústria de filmes de ação. Tem tiro, perseguição de carro, a jovem donzela, o discurso do vilão. Tudo. Mas lhe garanto que é uma delícia de ver.

Edgar Wright pareceu reunir nesse filme dois clássicos do cinema de ação da década de 90. 60 Segundo de Dominic Sena, com Angelina Jolie e Nicolas Cage no auge da carreira e Caçadores de Emoção com Patrick Swayze e Keanu Reeves.

        

Não diria que Baby Drive está na categoria de “mais do mesmo”, apesar de se apoiar em tantas obviedades. Mas Wright faz um ótimo uso de sequencias extremamente bem filmadas e planos de câmera geniais. Além de apelar pela memória afetiva do público ao colocar na trilha sonora bandas como Beach Boys, Blur, Queen, Barry White, entre outras.

O uso excessivo de música, para justificar a condição do personagem, é algo que o diretor pesa um pouco a mão. E senti muita falta de um “respiro” para os ouvidos. Nem que seja um breve momento de silêncio. Todas as cenas são banhadas com músicas tocando no frontground e background, além da trilha original nos momentos de ação.

Em Ritmo de Fuga pode até parecer um musical regado com perseguições e tiroteios, mas posso lhe garantir que vale muito assistir.