Nos dias 7 e 8 de julho, você conferiu tudo o que aconteceu no WebFestValda 2017 pelo Teoremas de Bar, seja pelas nossas redes sociais ou pelas matérias produzidas nas semanas seguintes (veja aqui e aqui). Você viu o que rolou nos palcos e nos bastidores também. Agora, chegou a vez de conferir as entrevistas realizadas com os convidados do festival. Nos dois dias, grandes artistas foram chamados para acrescentar na festa das 20 bandas independentes selecionadas para participar da edição desse ano.

Kapitu, Maneva e Pitty se apresentaram no primeiro dia. Hey Joe!, Onze:20, Monobloco e Fernanda Abreu no segundo. Nós conversamos com eles sobre o cenário da música autoral e os seus projetos atuais e futuros. Confira!

Momento da entrega dos prêmios. Confira as postagens anteriores para saber mais.

Os meninos da Kapitu concorreram em 2012 e 2015, agora, foram convidados para dar o start na primeira noite do festival devido ao bom desempenho que o show do álbum Vermelho vem obtendo nos palcos. Nesse show, eles apostam em muitas músicas autorais desse disco (ouça aqui). “A gente sempre teve essa pilha de fazer a nossa música, o nosso som autoral”.

“O legal do festival é esse ciclo. A gente já competiu e agora está abrindo (…) A meta é fechar daqui a um tempo (risos)”. E falando de futuro, após o single Cenas de Cotidiano, lançado em julho passado, eles pretendem lançar outros singles, mas sem a intensão de produzir um disco agora. O que eles não descartam é a gravação de um DVD no ano que vem quando a banda de Niterói/RJ completa 10 anos.

A banda formada por Yuri Corbal, Eduardo Matos, Irlan Guimarães e Rafael Marcolino é uma das principais bandas independentes de Niterói e os meninos vem acompanhando o atual cenário independente da cidade que é um celeiro de grandes artistas. Vulppe, Gragoatá, Overdrive Saravá e Hexotria (antiga Di3) são algumas das apostas de bandas que possuem trabalho autoral interessante e podem despontar por aí. “Não sei o que há na água de Niterói, mas sai muita gente boa”.

Os rapazes da Kapitu abriram a primeira noite do WFV 2017.

Após os niteroienses da Kapitu, o Maneva subiu ao palco da Fundição Progresso. Para o vocalista Tales de Polli, também é importante apostar na música autoral, pois “mais vale 10 pessoas que estão no seu show curtindo a sua música do que 1000 pulando uma música de outra pessoa”. Ele ainda concluiu dizendo que é necessário persistir, pois na carreira independente se faz um trabalho de formiguinha.

O Maneva está em turnê divulgando o DVD Ao Vivo em São Paulo, o primeiro trabalho com uma gravadora, a Universal Music, mas já estão trabalhando em novas músicas e isso é verdade, o videoclipe de Seja Para Mim – Acústico está fresquinho, acabou de sair do forno. “Eu acho que é uma grande qualidade nossa é nunca ficar parado e achar que o próximo [trabalho] vai ser melhor”. Além disso, os rapazes gostaram tanto da vibe do festival que convidaram a banda Seu Ninguém para abrir o show deles em Natal no dia 18 de agosto. Esse show será realizado na Arena das Dunas. Não perca!

Na segunda noite, os mineiros da Hey Joe! fizeram o aquecimento e apresentaram o show do seu disco mais recente, o Deskareggae (ouça aqui). Eles participaram do WebFestValda 2016 como concorrentes e se destacaram. Isso fez com que eles fossem convidados para retornar com um show completo na edição de 2017. Para eles, o festival se destaca pela visibilidade que dá as bandas e um ano após a participação deles, a banda segue realizando shows mesmo com a crise econômica que tende a diminuir os investimentos no cenário independente pelo país.

Além do bom som, eles possuem ótimas curiosidades: os dois vocalistas se chamam Rodrigo e um deles é médico, conciliando medicina e música. “Minha ideia é focar na saúde mental e a arte é uma grande possiblidade de tratamento e promoção de saúde mental. Eu me considero mais um promotor de saúde mental do que um músico ou médico” disse Rodrigo D’Sá Schettino. Já o Rodrigo Rosa completou afirmando que “a arte é um fator predominante para poder mudar as coisas. A arte tem esse fator e, no nosso caso, a gente tenta fazer esse papel de mudança para que as pessoas pensem”.

Eles estão prestes a completar cinco anos de estrada e vão comemorar essa data importante junto aos seus fãs em sua cidade natal. O show será no dia 12 de agosto, na Hippos Danceteria, em Leopoldina/MG.

Rodrigo D’Sá Schettino e Rodrigo Rosa.

A noite continuou dominada pelos mineiros. Em seguida, Onze:20 subiu ao palco para apresentar grandes sucessos como Te Roubar Pra Mim, Pra Você e Sem Medo de Amar. O tecladista Athos Santos falou sobre a visibilidade que a banda ganha após as apresentações no WebFestValda (eles também se apresentaram em 2016) e revelou o desejo de voltar em próximas edições. Já Vitin, o vocalista, comentou sobre o EP em espanhol que está em processo de criação. “Temos que trabalhar esse EP e estamos vendo a possibilidade de lançá-lo no México e por aí”.

Onze20 se apresentando no WFV 2017.

Os convidados para encerrar o festival não poderiam ser outros. A galera do Monobloco colocou todo mundo para pular e dançar. Eles ainda chamaram a carioquíssima Fernanda Abreu para ajudar nessa missão. “A Fernanda já é uma companheira de muito tempo e parceira do Pedro. Quando a gente começou a fazer o Monobloco, ela foi uma das primeiras convidadas. Participou do primeiro DVD da gente.” disse o maestro Celso Alvim. “A Fernanda tem uma coisa importante porque ela sempre foi uma artista que trouxe os acontecimentos cariocas, como o funk e o samba, para dentro do show dela” completou Pedro Luís.

No palco, o Monobloco fez uma grande festa como um Carnaval fora de época com influencias de diversos estilos, o que é característica marcada. “No Monobloco, cada um traz um pouco das suas influências. Tem gente que gosta mais da MPB, do samba, tem uma galera do rock, do samba, outras que trazem a questão do funk” disse o maestro. Além disso, foi destacado que o fator determinante do repertório é o público. E Pedro Luís finalizou falando sobre o atual cenário de tentativa de criminalizar as manifestações artísticas no geral. “A cidade não pode se curvar a isso”.

O Monobloco encerrou o WFV 2017.

Fernanda Abreu também destacou a parceria com Pedro Luís, enfatizando que ela vem desde os anos 80, prosseguindo com a música Tudo Vale A Pena e a gravação do disco Da Lata, ou seja, são amigos de longa data. Ela, que já tem mais de 30 anos de carreira, lançou em 2016 o álbum Amor Geral, após um hiato de mais de 10 anos. Sobre esse período de pause, ela disse “que muita gente ficou em um compasso de espera por conta da mudança radical que teve na indústria da música. Quando surgiu a internet, eu acho que mudou muito esse mercado”. Entre o festival e essa publicação, Fernanda Abreu recebeu um prêmio na 19° edição do Prêmio da Música Brasileira.

Fernanda Abreu dando entrevista no camarim do WFV 2017.