Marvel? DC? Nada disso! Os heróis de “Os Guardiões” vêm da Rússia, um país que não tem muita tradição cinematográfica. Se isso já despertou alguma curiosidade em você, pode parar por aí, OK?! Não crie expectativas porque o longa-metragem possivelmente não irá atendê-las. Com um roteiro pouco original, o filme parece que sofre uma crise de identidade, ele é tudo e nada ao mesmo tempo: ação, drama, ficção, aventura e até comédia.

O filme começa durante a Guerra Fria na União Soviética quando um projeto inovador chamado Patriota altera os genes de quatro indivíduos, tornando-os super-humanos. Eles passam décadas escondidos da sociedade, mas são recrutados novamente nos dias atuais para derrotar o vilão, um dos cientistas responsáveis pelo projeto que agora quer dominar o mundo devido a sua ganância. Nos papéis principais, encontramos Alina Lanina, Sebastien Sisak, Anton Pampuchniy e Sanzhar Madiev. A direção é de Sarik Andreasyan.

As cenas de ação são rápidas assim como os diálogos superficiais. Por possuir uma história clichê, poderiam ter apostado em trabalhar melhor os mistérios de cada super-herói. A trilha sonora também não atrai, pois parece dos anos 80 ou 90. E a última cena encerra o filme com frases de amizades fracas e dramáticas, sendo um final aleatório, não mais que a cena pós-créditos, mais um momento sem originalidade.

Apesar disso tudo, há questões positivas no filme. A atuação de Alina Lanina se destaca, a fotografia é lindíssima e os efeitos especiais são razoáveis. Entretanto, fica perceptível que o orçamento de cerca de cinco milhões de dólares não foi suficiente para aprimorar todos os efeitos, principalmente no herói urso. Algumas cenas de ação podem acabar gerando verdadeiras risadas na sala de cinema. Se compararmos com os grandes blockbusters de super-heróis americanos, a quantia é relativamente menor, no entanto, é alta se a comparação for com o cinema local russo.

Por fim, com roteiro de Andrey Gavrilov e distribuição da Paris Filmes, “Os Guardiões” decepciona ao tentar copiar filmes hollywoodianos como Quarteto Fantástico e X-Men. Pelo menos, ele dá o primeiro passo nessa área no cinema russo. Além disso, garante algumas risadas ao longo da sessão, seja pelo frágil roteiro ou efeitos especiais que não funcionam em alguns momentos. É necessário trazer algo com um roteiro mais original e ousado caso haja continuação, o que tudo indica que aconteça, pois a brecha é deixada na última cena do longa.