O terror mais esperado do ano chegou aos cinemas no início do mês e já quebrou diversos recordes em bilheteria. ‘It: a coisa’ é uma adaptação do livro ‘It’ de Stephen King e chega aos cinemas apresentando um terror muito bem elaborado. O filme, que dividiu a opinião dos fãs e dos críticos foi dirigido por Andy Muschietti e teve o roteiro escrito por Chase Palmer &Cary e Gary Dauberman.

Bill (Jaeden Lieberher), tenta se recuperar do rapto do seu irmão Georgie, que desapareceu após sair para brincar em um dia chuvoso. Mas esse não é um drama vivido exclusivamente por Bill. A cidade de Derry passa por uma série de desaparecimentos e, para piorar, os adultos da cidade não parecem se importar com isso. Com a certeza que seu irmão está vivo, ele convoca seus amigos Richie (Finn Wolfhard), Eddie (Jack Dylan Grazer), Stanley (Wyatt Oleff), Ben (Jeremy Ray Taylor), Mike (Chosen Jacobs) e Beverly (Sophia Lillis) para uma missão: encontrar Georgie e parar quem (ou o quê) está raptando as crianças.

Para os fãs de carteirinha as comparações com o livro e com a adaptação ‘It: Uma obra prima do medo’ (1990) foram inevitáveis, já que montagens das cenas mostradas no trailer com cenas do filme de Tommy Lee foram colocadas na internet fazendo com que a maioria dos espectadores fossem ao cinema esperando ver uma releitura do clássico dos anos 90. Quem cativou essas expectativas, saiu decepcionado da sala do cinema, visto que, mesmo com tantas cenas (e até diálogos parecidos) o filme inova a todo momento.

A primeira diferença, e a maior, é a separação entre a fase criança e a fase adulta dos personagens. No longa dos anos 90, a história vivida pelos personagens na infância era contada em forma de flashbacks, o que causava uma quebra do ritmo da história. Essa mudança foi muito positiva e bem aceita, já que deste modo, os personagens puderam ser mais explorados e a criação de um vínculo com quem assistia ao filme foi mais bem construída. O palhaço Pennywise (Bill Skarsgard) também sofreu diversas mudanças. Enquanto a interpretação de Tim Curry prezava pela comicidade do personagem, Bill levou essa interpretação para um lado mais sombrio.

O psicológico do palhaço foi muito bem trabalhado e faz a diferença na construção das cenas de terror do filme. O desenvolvimento dos medos dos personagens e as cenas que levavam ao embate com It atribuíram grande tensão para a história e não deixaram aquele aspecto de ‘susto’ que é de costume nos filmes desse gênero. O elenco, constituído quase 100% por crianças é, com certeza, uma atração à parte. O entrosamento entre os atores e a naturalidade na atuação fizeram com que a amizade e cumplicidade entre os personagens pudesse ser sentida em todos os momentos do filme.

Outro aspecto que chamou muita atenção foi o refinamento – ou não – de piadas e a normalização das crianças, que deixaram de parecer robôs e se desenvolveram construindo diálogos bem condizentes com a realidade em que vivem. O alívio cômico do filme fica a encargo de Richie, que ‘zoa’ todos os colegas e faz piada a todo momento (inclusive com o próprio Pennywise).

It não se trata de um terror que vai te deixar paralisado, mas pode te deixar com receio de lidar com seus próprios medos. É um filme muito diferente do que esperávamos e muito diferente do que vimos nos trailers > https://www.youtube.com/watch?v=UllUiLEXB_g  < que antecederam o filme, mas ele não decepciona e entrega algo muito melhor do que um terror sem sentido. A continuação do filme já foi confirmada e tem estreia marcada para 6 de setembro de 2019. Até lá só nos resta esperar por novidades e torcer para que o novo filme traga a mesma essência do ‘Chapter One’.