A edição de 2017 do Rock in Rio pode ser considerada a mais diversificada da história. O Palco Sunset foi o grande responsável por isso. Nesse espaço, vários estilos musicais foram representados por artistas nacionais e internacionais. Fora do âmbito musical, a diversidade sexual e manifestações políticas também foram destaques desses sete dias de muita música e encontros nos palcos montados na Cidade do Rock.

Fernanda Abreu e Focus Cia Dança (Créditos: Pablo Jacob/O Globo)

Alguns criticam os curadores por não trazer somente rock, no entanto, o festival nunca foi de um único estilo musical. Nessa edição, tivemos samba, MPB, funk, hip hop, soul, música eletrônica e outros gêneros. Isso mostra a ousadia dos organizadores que buscam pluralidade. Apesar disso, falta o Rock in Rio abraçar mais estilos como a música latina e trazer artistas de outros países da América Latina. O grupo colombiano Bomba Estéreo foi o único representante desse ano. E, por sinal, fizeram um ótimo show com a brasileira Karol Conka, que deixou o seu recado através de músicas que abordam o feminismo. “O amor é muito mais forte que o machismo e a homofobia” disse Conka ao público presente no dia 23 de setembro.

Esse não foi o único discurso a favor de uma sociedade mais igualitária. No dia anterior, Ana Cañas disse que “o amor é a cura, o amor é livre… Trate a sua ignorância, trate o seu preconceito”. No primeiro final de semana, Joohny Hooker convidou Liniker e Almério e juntos realizaram um show apoteótico, tendo como auge a música “Não Recomendado” de Caio Prado. Além disso, Hooker protagonizou cenas de beijo com um telão escrito “amar sem temer”. Por falar em beijos, também rolou beijaço no show da Fernanda Abreu, que misturou POP, funk e muita dança com o Dream Team do Passinho e Focus Cia de Dança.

Maria Rita e Melody Gadot (Alexandre Durão/G1)

Sem dúvidas, o coro que mais se repetiu pelo público foi o “Fora Temer”. Isso aconteceu nos shows de Pabllo Vittar, que roubou a cena em um palco do Itaú e no show da Fergie, do Skank, Blitz e outros. No show do Grande Encontro, no qual Elba Ramalho, Alceu Valença e Geraldo Azevedo relembram sucessos atemporais, Elba retribuiu e participou do coro. E por falar em encontro. No Palco Sunset ocorreram vários e eles só corroboraram com a diversidade proposta pelo festival.

Maria Rita e Melody Gadot, revelação do jazz, realizaram um show para 50 mil pessoas segundo a organização do evento. Elas se uniram para cantar Ella Fitzgerald, algo bem diferente do samba de Maria. Outro show surpreendente foi o de Rael que convidou Elza Soares. Ela foi ovacionada pelo público presente que lotou o Palco Sunset. Já Ney Matogrosso e Nação Zumbi protagonizaram um dos encontros mais inusitados, entretanto, o resultado foi um show morno. Faltou química!

Lucy Alves, Tiê, Emanuelle Araújo e Mariana Aydar (Alexandre Durão/G1)

A cada edição, os organizadores do Rock in Rio programam homenagens e tributos. Nessa edição, além de Ella Fitzgerald, João Donato também recebeu as justíssimas reverências com as musas Lucy Alves, Emanuelle Araújo, Mariana Aydar e Tiê que transformaram a segunda tarde do Rock in Rio em uma tarde luxuosa. Além disso, a homenagem ao samba reuniu nomes de peso na primeira noite do festival. A ideia foi comemorar o centenário do samba, mas Alcione, Criolo, Martinho da Vila, Roberta Sá, Mart’nália, Jorge Aragão e Monarco deram uma grande aula de como se fazer uma boa música.

Além da representatividade de diversos gêneros musicais, da liberdade sexual, o Rock in Rio foi marcado pelo pedido de socorro à Amazônia. O ápice desse manifesto deveria ser com a Gisele Bündchen cantando com Ivete Sangalo a música Imagine, de John Lennon, no entanto, quem deu mais visibilidade à causa foi Alicia Keys. Na terceira noite de Rock in Rio, ela chamou a liderança indígena Sonia Guajajara para abordar o assunto, além de ritmistas brasileiros como Pretinho da Serrinha.

Alicia Keys (Fábio Tito/G1)

É difícil eleger qual foi o ponto alto do festival, mas, sem dúvida, essa diversidade musical é muito positiva para a história do maior festival de música do planeta. Ao olhar os shows do Palco Mundo, Alicia Keys se destacou e fez um dos melhores shows do primeiro final de semana. Já na segunda etapa, a estreia dos veteranos do The Who no Rock in Rio proporcionou um show magistral. Guns N’ Roses e Tears For Fears também merecem os aplausos.

* A foto da capa é de Guito Moreto (O Globo).