Tenho absoluta certeza de que esta é uma das colunas mais infames de todos os tempos, mas toda vez que tento parar, atinado pelo o que me resta de bom senso, recebo milhares de correios eletrônicos, telegramas e mensagens de voz endereçadas ao Doutor Sexo. O empenho de vocês me comove e nessas ocasiões não vejo outra alternativa a não ser encaminhar as mais escabrosas dúvidas sobre o assunto ao maior especialista de todos os tempos. Com vocês, só mais umazinha.

Doutor Sexo, tenho mania de limpeza e isso me impede de frequentar alguns lugares. Por exemplo, estou ficando com um carinha que há três meses tenta me levar no motel, mas eu morro de nojo do chuveiro. Também não vou aonde ele mora, porque não sei de quanto em quanto tempo a roupa de cama é trocada. Resultado: a gente só transa aqui em casa e nas raras vezes em que os meus pais saem. Juliana Vicente Cândida – Nova Iguaçu, Rio de Janeiro.

Dr. Sexo: Mas, minha filha, levando ele na sua casa o pior você já fez. Por mais que neguem, os homens têm um ritual pré e pós-sexo terrível. Assim que chega, eu te garanto que esse cidadão lava o pinto na pia do seu banheiro. Um procedimento comum, ele vem preocupado de ter suado no caminho e não quer que você sinta nenhum gosto ao tomar a palavra. Tudo que molha precisa secar, e depois de lavar o pau você acha que ele passa papel higiênico? Não, senhora! Isso às vezes deixa uns pedacinhos colados na cabeça que são terríveis de tirar. Guardar na cueca seria igualmente ruim, pois ao demovê-lo da calça você pensaria se tratar de uma reserva de xixi. Frente a poderoso dilema o que ele faz? Seca a pontinha na tua toalha de rosto. Vou parar por aqui senão periga você nem casar  ao descobrir  que pentelhos são tirados do sabonete usando a unha.

Doutor S, não sei se o senhor vai me entender, mas quando bebo a minha ereção fica meio barro meio tijolo. Não sou brocha! Mas também não posso afirmar que o meu concreto seja Mauá. Como contornar isso? Teobaldo Romão – Catu, Bahia.

Dr. Sexo: Teobaldo, o estágio meio lá meio aqui não chega a ser exatamente um problema. Nós, médicos, classificamos a ereção em quatro fases, descrevo-as a seguir (se forem utilizados termos muito técnicos, por favor me escreva novamente):

O mole: é o estado de repouso e morte total. O pinto está triste, deprimido e não serve pra nada além de pirocoptero (se oferecer tamanho e aerodinâmica suficientes)

O meia bomba: o seu caso. Totalmente aceitável num fim de noite e em situações de extrema necessidade (sendo necessário apenas a delicadeza de segurar a base pra não quebrar). Esse estado é de difícil entendimento para aqueles que não possuem um pinto, mas faço aqui a analogia do boneco de posto balançando enquanto está na metade do enchimento;

O duro: esse é o mais comum aos homens excitados. É o nível em que é possível fazer a maior parte dos trabalhos. Esse estado é fácil de ser identificado por homens e mulheres (a não ser quando o tamanho do membro é demasiadamente pequeno. Nessas ocasiões, quando apalpado por fora da calça, com frequência o/a parceiro(a) acredita estar mexendo em um Batom de chocolate perdido no bolso);

O super saiyajin: alcançado naturalmente por apenas 2% da população acima dos 18 anos, só é comum em estados de extrema excitação. Você sabe que o atingiu quando o acompanhante exclama um “nossa”. Esse ponto é importante. O super saiyajin sempre é sucedido de uma expressão de admiração pela vitória alcançada. Esse estágio é capaz de levantar toalhas, quebrar objetos frágeis e fazer “tum tum” quando bate na mesa.

Doutor Sexo, tenho uma dúvida, mas não sei se devo falar. Dona Cármen – Itapipoca, Ceará.

Dr. Sexo: Diga, minha filha, vamos lá.

É que é um pouco constrangedor…

Menina, mais constrangedor que esse quadro? Impossível.

Eu tenho tido muitos problemas no meu relacionamento. Isso nasceu de uma fantasia que passei a nutrir no último ano… Chega, preciso confessar! Tenho um tesão terrível no Temer. Venho pedindo pro meu marido botar uma faixa presidencial, usar mesóclise e me dizer ao pé do ouvido umas coisas que ninguém entende, mas ele não topa! Ameaçou até divórcio. O que eu faço, Doutor?

Dr. Sexo: Olha, a senhora saiba que ter tesão em figuras obscuras não é tão terrível assim. Basta lembrar que até mesmo Nosferatu foi casado. Nesse departamento de políticos, na década de 80 tratei uma senhora que tinha desejo no Lula e chegou ao cúmulo de amputar o mindinho da mão esquerda só pra poder se masturbar com o cotoco. Mais recentemente fui a Piraí atender um jardineiro que de tanta atração no Pezão chegou a pedir que o patrão lhe suspendesse o salário por 6 meses. Gozava todo mês que entrava no cheque especial. Por último, teve um senhor que gostava tanto do Fernando Holiday que passou a comer merda todo dia. Não há problema em gostar de político, eu só não recomendaria o Temer.

E por que não, doutor?

Porque o seu marido pode entrar demais no personagem e armar uma traição.

Senhor Sexo, o que pensas a respeito do fist fucking (técnica sexual de enfiar a mão dentro do ânus do parceiro ou parceira). Sérgia Vanessa Maranhão – Rio Branco, Acre.

Dr. Sexo: Rapaz, essa prática é nefasta!

À saúde?

Não. À sociedade! Ela mostra antes de tudo uma falta de etiqueta social incrível.

Então o senhor também é contra o sexo anal?

De maneira nenhuma! Como Sandy mesmo indicou, o sexo anal é muito prazeroso. A diferença entre o sexo anal e o fist fucking é que na segunda-feira você não usa o seu pau pra apertar a mão de um conhecido, pra segurar no ferro do metrô e nem pra fazer carinho no rosto de uma idosa. Reflita.

Seu Sex, no embalo da pergunta anterior, peço desesperadamente a sua ajuda. Meu namorado está me pressionando para namorar por trás. Porém, há uns três anos, eu transava com um carinha quando o pau dele escorregou e eu vi um clarão preto. Desde então morro de medo da dor. Além disso, um amigo me disse ser muito importante fazer “xuca”. O que é isso? Margarida Ferreira – Aparecida, São Paulo.

Dr. Sexo: Margarida, minha flor, vamos por partes. Primeiramente, sabendo que “namorar por trás” significa a mesma coisa que ser “currada”, não posso deixar de observar o quanto é rica a nossa língua portuguesa. Em segundo lugar, sinto lhe informar que o seu último namorado te enganou. A partir de uma pesquisa de campo, identifiquei que em 97% dos casos essa história do pinto escorregar é pura lorota. O que acontece é que se aproveitando da sua posição de fragilidade, esse energúmeno resolveu tentar a sorte mirando a janela e não a porta. Homens fazem isso a fim de arriscar a realização de uma de suas maiores fantasias: o anal. É como se você estivesse nas Lojas Americanas e enfiasse um chocolate no bolso. Se em dois segundos ninguém reclamar é seu, se te xingarem, você pede desculpas e tira.

Sobre a segunda parte de sua indagação, sendo esta uma coluna de família, ressinto-me de termos para explicar o que significa fazer A “chuca” (grafada com “chu”, pois nesse caso o “h” representa “higiene” no meio das letras que sobram). Entender essa raiz etimológica é de fundamental importância, já que escrever com “x”, causou alguns transtornos na década de 90 (ver “xuca, a rainha dos baixinhos” no Google). Voltando à explicação sobre o que significa esse procedimento, imagine que fazer a chuca seja o mesmo de ver o Bolsonaro enchendo a boca de ar antes de fazer um discurso. Essa comparação é ótima.

Doutor Sexo, vi um colega pelado no vestiário da academia e depois de muita insistência consegui levá-lo pra cama. Mas na hora do ato, que decepção! O membro que mole era vultoso, agora ereto crescera muito pouco ou quase nada. Como se explica isso? Arthur Bianchi Nobre – Parazinho, Pará.

Dr. Sexo: Meu querido, a Doutora Elpex Cuesta, minha querida amiga e confidente, explica que existem dois tipos de pinto: o de carne e o de sangue. O de carne realmente gera muita expectativa e é extremamente útil em propagandas de cueca e para ir de sunga à praia. Este membro mesmo provocado é que nem o Dado Dolabella, não cresce com o tempo. Muitos consumidores já deram entrada no PROCON reclamando que viram 14 centímetros em estado de repouso e pensaram: “meu Deus é hoje que atravesso os 23”. Entretanto, na entrega do produto, perceberam que ele era igual a um cachorro preguiçoso quando chega visita: apenas levanta o pescoço. É como se você comprasse um canudo de Toddynho na esperança de que ele virasse um canudo de milk-shake, mas, ao botar na boca, ele só perdesse aquele quebradinho.

Na outra ponta a gente tem o pinto de sangue que começa como um Power Ranger, mas quando você pisca o negócio se transformou num Megazord. O pinto de sangue é quase sempre uma demonstração de que Deus existe.

Doutor Sexo, o senhor há de concordar comigo que a vagina não oferece uma das visões mais harmônicas do mundo. É um amontoado de peles mortas que nem sempre ficam arrumadinhas dentro do casco, como um mil folhas molhado. Parece que depois de pronta, Deus resolveu dar uma embaralhada na estrutura, sei lá. Sem contar o clitóris, que tem textura de damasco desidratado. Por último, o cheiro, mesmo quando muito limpa, não é dos mais atrativos. Amo a minha namorada, mas que ela não me peça para chupá-la! Gustavo da Silva – Palmas, Tocantins.

Dr. Sexo: Gustavo, você sabe que a natureza é muito sábia e pensando em todos os homens que possuem nojinho de buceta, já está disponível no mercado uma evolução da vagina. Essa é mais “arrumadinha”, tem apenas uma estrutura cilíndrica (infelizmente imperfeições fazem com que, quase sempre, ela penda para a esquerda ou direita). Normalmente também possuem apenas duas cores. É uma vagina da cor da pele na sua maioria e mais vermelha na ponta. A textura também deverá te agradar, é mais tenra, possui menos pele e o clitóris nem existe. Por último, a buceta 2.0 pode variar entre 16 e 23 cm. Experimente e depois me conte.

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O Doutor Sexo já deu suas caras por aqui outras duas vezes (clique aqui e aqui). Você também pode mandar sua pergunta para alvaro.teoremasdebar@gmail.com