Demi Lovato lançou o sexto álbum de sua carreira na última sexta de setembro. Intitulado Tell Me You Love Me, vem acompanhado da promessa de um som mais soulful e R&B. A questão é que a cantora de 25 anos já dizia desde seu quarto álbum – Unbroken – que seu som seria menos pop, mas nunca de fato fazia algo muito diferente.

Óbvio que com o tempo suas músicas foram ficando menos infantis, a medida em que ela amadurecia e conhecia melhor sua voz. Mas, mesmo assim, seus penúltimo e antepenúltimo álbuns, Unbroken e Demi, deixaram um ar de decepção, com exceção de algumas músicas. Agora, com o lançamento de “Tell Me You Love Me”, Lovato parece finalmente ter ganhado o coração dos críticos e dos fãs, sendo considerado, até mesmo pelo Grammy, o álbum mais forte de sua carreira. Também é o que eu mais gosto, passando na frente de Confident e do ainda infantil Don’t Forget – meus antigos preferidos.

O primeiro single dessa nova fase de Demi, Sorry Not Sorry – um recado curto e grosso aos haters e bullies – pouco se parece com todo o restante do CD. A música pop e chiclete abre o álbum, seguida pela que batiza o disco, Tell Me You Love Me. Aí vemos a verdadeira faceta que Lovato quer nos passar com seu álbum. Uma música de dor, cantada com o coração e dando grande destaque para melodia e para a voz incrível da cantora. Sinceramente, meus problemas com a música estão apenas na letra, pois fala de uma mulher que está totalmente perdida sem o seu amado, sem saber quem é e o que fazer longe dele. “Você não é ninguém até ter alguém”, ela canta no refrão. Essa vibe dependente e triste muda completamente nas próximas faixas – Sexy Dirty Love e You Don’t Do It For Me Anymore – onde vemos uma mulher completamente decidida e que sabe o que quer, sem medo de dizer.

Também não é difícil de perceber que Demi está cada vez mais confiante com sua voz, mostrando um verdadeiro amadurecimento. Nesse álbum a cantora vai muto além de seus agudos clássicos, brincando mais, com diversos truqueis vocais novos. Entretanto, não é só com a cantora que vemos uma melhora considerável. Os ritmos estão, realmente, menos pop e é perceptível o esforço para dar destaque à melodia e aos instrumentos em algumas faixas. Por exemplo, em Cry Baby e Ruin The Friendship – duas das músicas que mais estão fazendo sucesso entre os fãs – a alma da canção está na presença forte da guitarra e dos instrumentos de sopro, respectivamente.

E, claro, não podemos esquecer de Lonely. A única música do álbum – com exceção das lançadas anteriormente No Promises e Instruction, presentas na versão deluxe – que contém parceria. Nesse caso é o rapper Lil Wayne que participa da faixa com Lovato, entrando antes do último refrão de Lonely para um breve Rap. Não é a primeira vez que Lovato tem um rapper em seu CD e essa parceria faz muito sentido, já que um dos covers mais famosos da cantora é de uma música de Wayne, How To Love. Entretanto, dessa vez, pelo rap estar em uma música mais calma e emotiva, diferente dos outros álbuns, a junção torna-se muito interessante e ideal para a faixa.

Não se pode negar que houve algumas coincidências indesejadas. Por exemplo, a música Tell Me You Love Me foi lançada no mesmo dia em que Taylor Swift divulgou seu esperado single Look What You Made Me Do e o álbum completo saiu junto com o novo de Miley Cyrus, Younger Now. Apesar disso prejudicar Lovato nas paradas, ela ainda conseguiu ficar em 1º nos Estados Unidos e em outros 39 países. No Brasil, variou entre 1º e  3º na primeira semana. Sem contar que está sendo um sucesso nas críticas: segundo os avaliadores mais carrascos do mundo da música, Demi finalmente entregou o que prometia.

Com a divulgação e escolha de singles certos não tem porque Lovato não conseguir turnês lotadas, músicas em primeiro lugar e, finalmente, sua tão sonhada vitória no Grammy. Estamos torcendo pelo sucesso da cantora!