O dia 12 de outubro é conhecido aqui no Brasil como Dia Das Crianças. O nosso país foi um dos primeiros a ter um dia dedicado especialmente aos mais novos, com a ideia partindo de um político na década de 20. No começo, ninguém comemorava e a data caiu no esquecimento. Mas, em 1955, a empresa de brinquedos Estrela lançou a “Semana do Bebê Robusto”, desenvolvendo ações para aumentar suas vendas, chamando atenção para o dia.

Independente da idade, uma coisa que quase todo mundo gosta é filme infantil. Seja uma animação bem feita ou um filminho gostoso, alla Sessão da Tarde, as produções dedicadas às crianças conseguem agradar pessoas de uma faixa etária bem ampla. Por isso, em homenagem a esse dia tão especial, separamos 12 filmes para você liberar sua criança interior ou relembrar dos velhos tempos, sem vergonha nenhuma. Em um mundo onde a realidade anda cada vez mais cruel e difícil, nada melhor do que se refugiar em um universo onde princesas, fadas e magia são mais que reais – são pré-requisitos.

  1.  Enrolados (2010)

Uma releitura de um clássico, Enrolados conta a história de Rapunzel, uma princesa com cabelos loiros quilométricos que tem o poder de curar e brilhar. Esse dom faz com que Mãe Gothel sequestre a menina ainda bebê, para que possa continuar rejuvenescendo e alcançar a imortalidade, e a tranque em uma alta torre – sem permitir que a jovem veja o mundo lá de fora. Mas, aí entra o incrível e hilário Eugene, um ladrão que, por acaso, acaba na torre de Rapunzel. Juntos, os dois vão atrás de seus sonhos: o rapaz que quer enriquecer e a menina, que faria tudo para ver de perto as luzes mágicas que brilham no céu no dia de seu aniversário. Essa é minha animação preferida de todas! Com momentos engraçados e emocionantes, ela fala de sonhos, amores impossíveis e persistência. Como se não bastasse, a verão original conta com as lindas vozes de Zachary Levi e Mandy Moore, que se destacam principalmente na hora da música “I See The Light”, que garantiu uma apresentação dos dubladores no Oscar de 2011.

  1. Pocahontas (1995)

Um clássico da Disney do meado dos anos 90, Pocahontas é baseado em uma índia de mesmo nome que, junto de sua tribo, resistiu à colonização britânica nas terras do atual território dos Estados Unidos. Apesar do desenho romantizar e suavizar graves temas históricos, acho que o filme é essencial para apresentar questões políticas de forma didática e da maneira mais suave possível. Apesar da verdadeira Pocahontas não ter se envolvido romanticamente com o colonizador que salvou, sua história tem muito o que ensinar sobre respeito e convivência pacífica, seja ou entre pessoas diferentes ou entre sociedade e meio ambiente.

  1. A Princesa e o Sapo (2009)

A primeira princesa negra da Disney é a protagonista de A Princesa e o Sapo e tem um lugar especial reservado no meu coração. Tiana é uma adolescente, de família bem humilde e amorosa. Desde cedo sempre foi muito próxima de Charlotte, uma princesa mimada e divertida, que tem tudo o que quer. O verdadeiro sonho de Tiana é abrir um restaurante, onde possa cozinhar suas comidas preferidas e ter bandas tocando as músicas que mais ama. Entretanto, as diferenças entre ela e Charlotte são cada vez mais evidentes e o sonho de Tiana parece mais e mais distante. Porém, uma noite, em um baile, um sapo encantado pede um beijo à moça, na esperança de voltar a ser um homem. Prometeu dar o restaurante com que ela tanto sonhava, já que – por coincidência do destino – o sapo era um príncipe amaldiçoado. Resumindo, as coisas não dão muito certo e os dois, tanto Tiana, quanto o príncipe, acabam presos no corpo de sapos. O filme é situado em Nova Orleans na década de 20, recheado de jazz e histórias de amor. Impossível não amar.

  1. Procurando Nemo (2003)

O filme dispensa apresentações. Procurando Nemo definitivamente marcou minha infância e a de muitos outros adolescentes-adultos de 20 poucos anos. Me lembro do dia em que fui assistir ao filme, uma das primeiras vezes em que fui ao cinema. Chorei e segurei a mão dos meus pais quando a mãe de Nemo morre, fechei os olhos nas cenas dos tubarões, me estressei com as perdas de memória de Dory nos momentos mais importantes. A questão é que, depois de 14 anos, o filme continua me trazendo uma sensação leve de paz, com tantas lembranças gostosas das vezes em que o assisti. E, não à toa, ano passado fui ao cinema para ver a esperada continuação, Procurando Dory. O segundo filme é muito bom, mas minha criança interna sempre vai preferir a história original de 2003.

  1. ABC do Amor (2005)

O filme conta com um ainda muito novo Josh Hutcherson no papel de Gabe, um garoto de 10 anos que se apaixona pela primeira vez por sua colega de classe, Rosemary, após começar a treinar karatê com ela. Além de ser um filme muito gostoso de se ver, passa várias mensagens sobre juventude, família, respeito e, principalmente, amor. Entre a relação juvenil que vai se formando entre os dois principais, Gabe está tentando lidar com as brigas constantes de seus pais, que estão se divorciando, e a clara diferença de renda entre ele e sua amada. Além de tudo, é lindo ver o menino – ainda tão novo – se entregar totalmente aquele sentimento, com todos os lados bons e ruins. Importante para nos lembrar de nos permitir sentir, sofrer e chorar, como uma criança, que pensa que a dor vai ser eterna.

  1. Os Incríveis (2004)

Outro filme clássico dos estúdios Disney para minha geração. E melhor: com previsão de estreia da continuação para 2018! Também me lembro quando assisti esse pela primeira vez e como achei incrível a humanização dos heróis. Convivemos com eles na intimidade, vemos suas inseguranças, vergonhas, dificuldades e brigas. Sem contar no protagonismo incrível da Mulher Elástica, que, logo no começo do filme, afirma que não vai deixar a missão de salvar o mundo para os homens. Obviamente, não entendia tudo isso enquanto assistia com meus 6, 7 anos. Mas aos poucos, quanto mais eu via, mais esses detalhes foram ficando claros para mim. E, agora com 20, posso afirmar que apesar de não entender todos esses aspectos detalhadamente há 13 anos, foram esses detalhes que me fizeram gostar tanto dessa animação.

  1. O Mágico de Oz (1939)

Sou familiarizada com a história de Dorothy desde que me lembro: uma casa que voa durante um furacão no Kansas, a Terra de Oz, um mágico, uma bruxa soterrada e um par de sapatos vermelhos. Por muito tempo, achava que isso resumia a história da insegura menina do interior (isso e mais alguns detalhes que escutava da minha vó, que amava o filme). Tinha até um pouco de medo dos homens fantasiados, porém, quando ganhei o DVD – um dos primeiros DVDs que tive – fui me permitindo gostar mais da história. Mas, só recentemente revisitei o universo mágico de Oz com olhos adultos, graças à versão original de 1939, disponível na Netflix. As mensagens e metáforas do roteiro (algumas claras, outras nem tanto) definitivamente possuem o “efeito Pequeno Príncipe”: cada vez que você lê ou assiste, sente algo diferente, pensa e entende algo novo.

Recentemente foi revelado que a atriz principal, Judy Garland, sofria severos abusos e era constantemente ofendida nos bastidores de Mágico de Oz. Depois disso, nunca mais vi o filme – não por escolha, simplesmente aconteceu -, mas tenho certeza que será estranho ver a felicidade de Dorothy, tão distante e oposta do que acontecia na vida real, em um universo mágico, com doces e caminho de tijolos dourados.

  1. Zootopia (2016)

Meu carinho e amor por Zootopia não cabe aqui no texto. O vencedor do Oscar de Melhor Animação de 2017 fala sobre um universo só de animais, onde existe muita violência e preconceito. Então, Judy Hopps, uma coelhinha feliz e sonhadora, decide abandonar a sua cidade natal e ir até a Zootopia, cidade urbana e grande, perseguir seu sonho de ser uma policial. Lá, se depara com um forte estereotipo sobre sua raça – acreditam que a coelha é muito inofensiva, pequena e indefesa para trabalhar com crimes. Além disso, Judy tenta se livrar do preconceito que muitos têm com raposas, ditas mal caráteres e desonestas. Quando ela conhece a esperta raposa Nick Wilde, tudo muda. Em um contexto de racismo e xenofobia exacerbamos nada melhor do que um filme que trata esses assuntos de forma tão leve e didática. E também, importante ressaltar que em algumas cenas tem claras referências à série Breaking Bad e à trilogia O Poderoso Chefão. Como não amar?

  1. Toy Story (1995)

Toy Story conquistou pessoas de várias gerações. Sejam irmãos ou primos, mais velhos ou mais novos, todos tem um filme preferido da série. O primeiro saiu em 1995, sendo seguido pela sequência em 1999 e terminando com o terceiro, bem emocionante, em 2010. Acho que o filme é a materialização do que toda criança acredita: seus brinquedos têm vida. E admito que depois de assistir Toy Story algumas várias vezes, tentava pegar meus bonecos se mexendo no flagra. Não obtive sucesso. Mas essa ideia de que existe todo um universo e vidas bem embaixo do seu teto, que você não faz nem ideia, sempre me deixou animada. E acho que teve o mesmo efeito nessas três gerações de fãs, já que todos os filmes fizeram muito sucesso e existem boatos de uma continuação para o próximo ano.

  1. Pequenos Espiões (2001)

Sinto que esse filme, mais do que os outros, é para uma geração específica. Algumas pessoas mais velhas nunca ouviram falar, mas entre minha faixa etária não há dúvidas de que esse é um dos melhores filmes de espiões para crianças que existe. Quando os pais de Juni e Carmen são sequestrados, os jovens descobrem o passado de espionagem de sua família e recebem a missão de salvá-los. Aposto que esse é um daqueles filmes que, se assistirmos de novo, vamos ficar desapontados com os efeitos especiais ou outros detalhes do tipo. Mas, meu amor por ele enquanto era criança era tão grande que nada mais justo do que ele entrar na lista. A franquia lançou também Pequenos Espiões 2 (2002) e 3 (2003) – o 2 era o meu preferido!

  1. Peter Pan (1953)

Acho que nada mais apropriado do que a presença de Peter Pan nessa lista. O menino que se recusa a crescer e decide viver na Terra do Nunca, fugindo dos problemas e responsabilidades do mundo dos adultos, é uma ótima pedida para o Dia das Crianças. Em uma noite, Peter Pan busca Wendy e seus irmãos na capital da Inglaterra para irem até sua casa, Terra do Nunca, onde convive com magia, fadas – como a famosa Sininho – e piratas malvados, que nem o Capitão Gancho. Sempre é bom lembrar que, não importa o quão velho fiquemos, sempre podemos fugir para nossa Terra do Nunca, seja em fotos, livros ou filmes como esses.

  1. Sherk (2001)

Sherk é aquele tipo de filme que é destino ao público infantil, mas também não é. Com humor irônico e ácido, admito que o roteiro contém algumas piadas que só entendi depois de mais velha. Mas achei importante listá-lo aqui porque também marcou bastante minha infância. Sendo adorado entre várias faixas etárias, acredito que Sherk fez tanto sucesso porque, além de passar a mensagem clássica e batida de amor ao próximo e de ver além das aparências, ele coloca a ideia em prática de maneira mais verdadeira e crua possível. E, mesmo sendo ogros, em um pântano com lama, Sherk e Fiona encontram amor verdadeiro e felicidade genuína. E no final, isso é tudo que importa.