Uma vez ouvi dizer que os piores monstros do mundo são os seres humanos. Ou seja, por que inventar assombrações, lobisomens e vampiros sendo que os animais que temos em Terra já causam tanto medo? Pensando nisso, resolvi trazer uma história real nessa semana de Halloween.

A história começa bem como um roteiro de filme de terror: Meredith Kercher, uma jovem britânica de 21 anos, está fazendo um intercâmbio dos sonhos na cidade de Perúgia, na Itália central. No dia 1 de novembro de 2008, ela decide ir à uma festa de Halloween com seus novos amigos. Ao chegar em casa, perceba que está sozinha.

Não se sabe ao certo o que aconteceu com Meredith a partir desse momento. Mas, segundo a versão oficial, na manhã do dia 2 de novembro, sua colega de quarto, a americana Amanda Knox, encontra o corpo de Kercher. A jovem britânica foi estrangulada e esfaqueada 46 vezes, inclusive na garganta. No meio de tanto ódio, o assassino fez questão de cobrir o corpo da vítima com um lençol antes de deixar o local. A questão é: o culpado realmente saiu da casa?

Segundo Amanda Knox, de 20 anos na época, sim. Para ela o assassino havia deixado o lugar logo após cometer o crime. Mas não demorou muito para o promotor Giuliano Mignini suspeitar da colega de quarto e de seu namorado de poucas semanas, o italiano Rafaelle Sollecito.

Raffaele Sollecito, Meredith Kercher e Amanda Knox.

Entre acusações, comportamentos bizarros e intrigas de jornalistas, o julgamento sobre o assassinato de Meredith se acontece na Itália. O caso, bem famoso, envolveu a opinião pública de forma ímpar, já que a imprensa teve grande participação na resolução do crime. Com muitas acusações machistas, jornalistas como Nick Pisa do Daily Mail, ajudaram a formar uma imagem de Knox baseada na sua vida sexual, a diminuindo pelo número de parceiros e preferências íntimas.

Amanda Knox e Rafaelle Sollecito foram inocentados (isso não é spoiler! O filme não é sobre o julgamento), mas ainda restam muitas dúvidas sobre o que de fato aconteceu com Meredith naquela noite de 2008. São sobre essas dúvidas que se desenrola o documentário da Netflix, lançado em 2016, chamado, claro, Amanda Knox. Bem nos primeiros segundos, vemos a jovem Amanda, loira e com um rosto angelical. Então, ela diz o seguinte: existem duas opções: 1) ela é a culpada pelo assassinato. Nesse caso, ela é a pessoa que nós mais devemos temer, já que não é uma suspeita óbvia. Ou 2) ela é inocente. E, então, devemos ter medo de qualquer maneira, porque isso quer dizer que qualquer um de nós pode passar por essa situação.

Sutiã de Meredith Kercher na cena do crime.

Com a direção impecável de Rod Blackhurst e Brian Mcginn, nos envolvemos nessa dramática trama quase que instantaneamente, ficando, a cada cena, mais confusos sobre a inocência de Amanda e seu parceiro. Para quem gosta de documentários sobre assassinatos, esse filme é imperdível!

Confira o trailer abaixo: