Com 15 anos de carreira, Preta Gil divulgou o seu sexto trabalho, sendo o quarto só com músicas inéditas no dia 27 de outubro. “Todas as Cores” é um álbum plural em todos os sentidos possíveis e traz uma mistura de ritmos. MPB, POP, samba, axé e sertanejo passeiam pelo CD, mostrando a musicalidade de uma cantora que começou sua carreira quase aos 30 anos de idade, mas que vive imersa na música desde o nascimento. Afinal, ela é filha de Gilberto Gil e afilhada de Gal Costa, quem faz participação na melhor faixa do disco.  

Aos 43 anos, Preta Gil mostra maturidade ao trazer um álbum consistente e inteligente na escolha das músicas. Ao lado do DJ Batutinha, responsável pela produção desse novo trabalho, ela traz 10 faixas com composições de Ana Carolina, Pretinho da Serra, Seu Jorge, Marilia Mendonça e outros compositores.

A pluralidade também está nos temas. Ouvir o disco por completo é cantar o amor, a liberdade feminina, o empoderamento e a representatividade, inclusive pode-se fazer uma relação com o título de “Todas as Cores” com para todos os povos. No clipe e letra de “Vá se Benzer” (Leonardo Reis, Deco Simões, Emerson Taquari e Sergio Rocha) essa mensagem fica bem clara. “Negro, branco, índio, eu sou. Diz aí quem é você?” diz a letra da música cantada em parceria com Gal Costa.

O disco traz outras canções que são potenciais singles. “Botando a Fila pra Andar”, escrita por Ana Carolina, é um bom exemplo. Ana é responsável pelo maior sucesso da carreira de Preta, a música “Sinais de Fogo”. Já “Sai da Geladeira” (Pretinho da Serrinha, Leandro Fab, Rogê e Seu Jorge), gravada inicialmente por Paula Lima, fala de se abrir para o mundo e amar. E não pense que o romance se dá somente nessa faixa, “Mozi” é uma composição do Batutinha com Gabriel Cantinni, mas pensada na relação da cantora e do seu marido Rodrigo Godoy.

“Cheia de Amor” (Gigi Cerqueira, Filipe Escandurras e Magno Sant’Anna) abre o disco e já deixa o recado que Preta quer passar. A música, que lembra os carimbós dançantes da Dona Onete, fala de uma mulher que não esconde seus desejos e se impõe. “Sei Lá” (Preta, Raniere Oliveira e Marquinho OSócio) também é dançante e tem umas batidas mais secas, além de uma pegada POP. “All Right” (Aila Menezes e Mikael Mutti) e “Ver o Mar” (Daniel Pereira, Fabio Lessa, Thiago Maximino e Luandha Valeria) são as mais calminhas do CD. A primeira tem uma pegada axé e é a música mais fraca de todo o álbum. Já “Ver o Mar” é um reggae bem delícia para encerrar os trabalhos.

Além de Gal Costa, Preta tem a companhia de mais duas cantoras brasileiras. Marilia Mendonça não só enviou uma composição sua (em parceria com Juliano Tchula), mas também gravou “Não Me Testa” com a baiana. Além dessa moda sertaneja fusionada com uma vibe dançante, Preta também gravou com Pabllo Vittar a música “Decote” (Pablo Bispo, Yuri Drummond e Rodrigo Gorky) e deu um samba com letra fortíssima. O videoclipe dessa música já ultrapassou os seis milhões e meio de visualizações no YouTube.

“Todas as Cores” mostra um frescor que não se via desde os dois primeiros discos de Preta Gil, “Prét-A-Porter”, o qual a cantora posou nua na capa e gerou grande repercussão na época devido a comentários gordofóbicos, e “Preta” de 2005.

* Créditos das imagens: Alex Santana / Divulgação