Liga da Justiça chegou aos cinemas na última quarta-feira (15/11) e já deu tempo de ser massacrado pela crítica. Com uma média de 46 no MetaScore, o novo filme da DC não agradou nem um pouco os críticos e os fãs mais antigos da franquia, mas teve muita gente que saiu do cinema satisfeito. Com direção de Zack Snyder e roteiro de Joss Whedon e Chris Terrio, o longa estreou se tornando a maior abertura nos cinemas brasileiros, arrecadando R$ 13,1 milhões.

Depois da morte do Superman (Henry Cavill), em ‘Batman Vs. Superman’, o mundo se enfraquece e uma nova ameaça surge. Steppenwolf, acorda depois de milhares de anos e busca juntar as três caixas do poder, que foram divididas entre o mundo dos homens, Atenas e Atlantis. Batman (Bem Affleck) decide que é hora de se juntar com mais heróis e criar um grupo capaz de combater a mais nova ameaça. Mulher Maravilha (Gal Gadot), Aquaman (Jason Momoa), Flash (Ezra Miller) e Cyborg (Ray Fisher) são os escolhidos para enfrentar esse vilão que já é conhecido no universo.

A integração dos personagens, e dos atores em cena, foi um ponto superpositivo para o filme. O elenco conseguiu que seus personagens se completassem em suas características e, com isso, surgiu uma série de eventos descontraídos que trouxeram leveza ao filme. O Flash também foi uma surpresa boa. Estamos acostumados a ver o Ezra em filmes muito mais pesados, interpretando histórias mais densas e, por incrível que pareça, nesse filme ele foi o alívio cômico. As piadas e o entusiasmo do personagem por estar em torno de heróis que ele, até então, só admirava de longe foram bem aceitas pelo público.

Danny Elfman foi o responsável pela trilha sonora do filme e decidiu, além de colocar composições novas e coerentes, usar as famosas melodias que acompanham Batman e Superman a bastante tempo. O figurino, de Michael Wilkinson, também foi um diferencial. Desde ‘Batman Vs. Superman’ percebemos que os figurinos vinham se tornando mais sombrios e, principalmente, mais realistas. Mesmo com a inclusão de novos personagens e o desafio de começar essa maturação do zero o resultado foi satisfatório e é bonito de se ver. As famosas referências também são bastante usadas ao longo do filme.

Em contraponto a essas características positivas, temos algumas que, embora não atrapalhem, de forma geral, a recepção do filme, causam cansaço ao público. A primeira delas é a má formulação de diálogos que o filme tem. Durante as mais de duas horas de filme, as falas tentam reafirmar a todo momento tudo o que se passa e tudo que devemos saber para entender o filme. É como se a cada cena eles tivessem que dar uma pausa e explicar para o público o que acabou de acontecer. É chato e faz com que o público se sinta bobo e, por vezes, perca o interesse nesses diálogos que poderiam ter sido usados para somar muito mais à história.

Steppenwolf, o vilão do filme, também foi uma decepção. Além de sua aparência totalmente computadorizada (e muito malfeita), ele não apresenta complexidade nenhuma. Suas motivações são as mesmas (conquistar a Terra), as armas são bem previsíveis (alguma coisa antiga que dá poder absoluto e supremo) e, para piorar, os diálogos dele também são bem fracos (ele só consegue repetir que merece o domínio do mundo e que todos os heróis são fracos e devem morrer). Ou seja, nada inovador. Outro ponto que decepciona, é a forma como o “mundo” foi afetado. Mundo entre aspas porque eles decidiram que mostrar uma família, vivendo uma cidade abandonada, localizada em um país remoto seria suficiente para demonstrar a destruição que Steppenwolf estava causando. Não foi e as cenas da família só serviram para quebrar o clima em alguns momentos.

Liga da Justiça é satisfatório. Não é um filme que vai sair por aí ganhando prêmios, não vai agradar todos os fãs, principalmente os mais fervorosos e que buscam no filme uma reprodução exata de um quadrinho, mas é um filme divertido, que flui bem e cumpre o papel de iniciar essa nova franquia da DC. Os personagens foram bem representados e a interpretação dos atores deixam um gostinho para os próximos filmes solos que serão lançados. É um filme que quase se direciona para um público mais jovem, mas que ainda cativa amantes dos heróis mais icônicos da marca.