Sim, meus queridos, se 2017 foi um ano intragável no aspecto político, 2018 promete um mar de emoções. Quer dizer, provavelmente vai ser igualmente ruim, mas pelo menos vai ser um ruim animado. O número desproporcional de pré-candidatos a presidência já deixa desde já o coração deste colunista com alguns sintomas típicos de arritmia.

Fazendo-nos esquecer que já fomos obrigados a suportar um Dilma x Serra, a disputa do ano que vem vai trazer um elenco melhor do que A Fazenda Nova Chance. O negócio estará tão bagunçado que é impossível não lembrar da primeira eleição direta para presidente depois da ditadura. Em 1989, tínhamos espécimes como Lula, Collor, Ronaldo Caiado, Brizola, Gabeira, Enéas, Silvio Santos (por um breve momento), Covas, Ulysses Guimarães e Maluf.

Naquela ocasião, o segundo turno contou com um bando de artistas cantando “Lula lá” e com Collor levando uma senhora pra acusar o adversário de patrocinar um aborto. Show e baixaria não alcançados nem quando o Superpop apresentou um debate entre uma travesti e o Bolsonaro.

Mas a eleição de 89 vai ser apenas uma piada na história depois de outubro do ano que vem. Você confere agora, em primeira mão, os participantes dessa nave louca:

Manuela d’Ávila

Tendo como pontos fortes no currículo “beleza” e “juventude”, Manuela tem 36 anos e é do PCdoB (não, surpreendentemente o partido não é um diretório do PT, como se imaginava até então). Gaúcha, a jovem já prometeu não flertar com Lula na Casa e na total ausência do que falar de suas contribuições ao Brasil, prefiro preencher o espaço vazio com aquele tradicional vídeo do Serra.

Henrique Meireles

Quando vivo, foi presidente do Banco Central no Governo Lula e Ministro da Fazenda no Governo Temer. Com 0 ideologia política e muito compromisso com a economia, tem 120 anos e é a menina dos olhos do mercado.

Vai disputar pelo PSD e com o ridículo tempo de TV deve ter a oportunidade de aparecer em apenas um flash e assustar por meses nossas criancinhas.

Jair Bolsonaro

Nascido na Áustria, se mudou para a Alemanha em 1913 e serviu no exército durante a Primeira Guerra Mundial. Se juntou ao Partido dos Trabalhadores Alemães, precursor do Partido…

Vixe! Essa era a biografia do Hitler, que louco…

Escrevi sobre a vitória do Jair vez passada (clique aqui)

Joaquim Barbosa

Pensando em se candidatar desde que deixou o STF, o paladino da justiça flerta com o falecido PSB de Campos. Seria um presidente honesto, justo, governaria com os melhores e não compactuaria com o fisiologismo. Ou seja, um desastre.

Geraldo Alckmin

Com um carisma digno de Serginho Groisman, o governador paulista promete manter a tradição do PSDB e garantir a derrota no segundo turno. Pra ser o candidato oficial do partido, Alckmin só precisa acabar de engolir a criatura que botou na prefeitura de São Paulo e reencarnar o maravilhoso personagem “Geraldo” de 2006.

Mais equilibrado que Bolsonaro, mais competitivo que Meireles e combatente de Lula, é um dos favoritos.

Lula/Haddad

Quando o Senhor disse “caiam mil homens à tua esquerda e dez mil à tua direita, tu não serás atingido” ninguém desconfiava que era uma mensagem cifrada a Lula. Mais chamascudo que Gaddafi, o filho do Brasil ainda consegue liderar a intenção de voto. Com o início da artilharia da propaganda adversária, deve despencar mais que o Faustão quando a Galisteu pulou em cima. Provavelmente será segunda ou terceira força quando a Justiça condená-lo e o partido tiver que botar Haddad como cabeça de chapa.

PS: mesmo se disputar e perder a eleição, diferente do que pensam alguns sábios, o espírito de Lula continuará vivo entre os fiéis.

Doctor Rey

Depois que ressuscitar o PRONA, do Enéas, ele vai promover um Brasil mais sensual e o combate aos comunistas. Não ganha a eleição, mas certamente emplaca a apresentação do Bastidores do Carnaval 2019 na RedeTV!

A seguir, as melhores frases da entrevista que ele deu à VEJA:

Luciano Huck

É sem sombra de dúvidas o nome mais forte da disputa. Com altíssimo nível de recall, vai fazer sucesso entre os mais pobres, já que apresentava um semanal popular, e entre os mais ricos, já que tinha ilha em Angra. Não tem absolutamente nada a perder a não ser um programa insuportável no sábado e um punhado de milhões em publicidade (ele já tem todos os milhões possíveis). Namora o inexpressivo PPS e talvez seja o único nome capaz de tirar Alckmin do segundo turno.

Se por um lado Angélica está 100% pistola por também perder seu emprego na Globo, por outro, se o marido sair vencedor, os dois emplacam amizades melhores que Ashton Kutcher e Tom Brady.

PS: Este texto foi escrito antes de Huck dizer pra Folha que não será candidato “neste momento e nesta eleição”. Veja aqui. Como esse colunista é meio desconfiado, essa parte ficou.

Ciro Gomes

Se não estourar a veia que leva sangue pro cérebro, deve marcar um desempenho mais pífio que em 2002. Destemperado, terá a candidatura de esquerda desidratada por Lula, Manuela, Boulos e Marina. Do jeito que é hoje, Ciro só ganha o voto do povo na eleição que escolher o novo marido da Patrícia Pillar.

Marina Silva

Assim como a Bienal do Livro e o Cometa Halley, Marina só aparece em um determinado ano do período. Se até 2018 o eleitor descobrir que ela não passa de um embuste de ótima índole, a estratégia de “terceira via” e “fora, polarização” deve ficar tão esvaziada quanto a ideologia política da Rede.

João Amoêdo

Ex-banqueiro, Amoêdo já tem o voto garantido do 1% mais rico do Brasil e da redação da IstoÉ Dinheiro. Vai disputar a eleição pelo Partido Novo, mas novas mesmo são as fuças do candidato capitalista.

João Dória

Empresário, apresentador, outsider (deve ser profissão), vlogueiro, especialista em mídias sociais e prefeito de São Paulo quando sobra dois palitos, teve a candidatura desidratada quando surgiu a última pesquisa do Datafolha em São Paulo. Surpreendentemente, o paulistano não curte um prefeito que passa mais tempo fazendo laboratório de comissário de bordo do que administrando a cidade (apesar dele já ter garantido que comanda São Paulo via smartphone). Se insistir na corrida, vai ter que sair do PSDB, trair o criador e abandonar a prefeitura em menos de ano e meio de governo. Vai ser perfeito.

Algum fulano do PSTU

Não vai ser convidado pros debates, pras entrevistas e no dia da eleição é provável que a gente nem saiba o nome, mas pelo menos vai entoar o melhor bordão dentre todos os partidos:  quem bate cartão não vota em patrão.

Guilherme Boulos ou outro suado do PSOL

Líder do MTST vai parar de organizar caravana pra Dilma/ Lula e lançar voo solo na dicotomia Socialismo e Liberdade. Alguém perfeito pra esquerda-UERJ, que é racional de mais para Lula é radical de menos pra PSTU.

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Foto de capa: Revista Factual