Sim, sim, sim, nobríssimos, já na semana que vem chega uma das festas mais insuportáveis de todos os tempos. Alguns podem argumentar, “o Natal é bacana, a gente se entope de comida”, mas cê jura mesmo que o peru vale aquela tia terrível das namoradinhas? Vale o tio que faz piada velha e cheira a vinho? Vale a vovó notebook? E a furada do amigo oculto, vale? Meu ranço com Natal é tão grande que ano passado botei passas no arroz nesse texto aqui.

Aí chegou esse ano, recebi a pauta e pensei: e aí, esculhambar o nascimento de JC again? Não! Sabendo que sou lido por uma imensa parcela de jovenzinhos antissociais, resolvi prestar mais um serviço de utilidade pública. Então esconde o fone do lado direito do ouvido, dá uns sorrisos bestas e preste atenção apenas na sua amiga dos últimos quatro anos. Lógico que você não vai poder ignorar a família pelas três horas do Senhor dos Anéis, por isso separei apenas títulos curtinhos do catálogo Netflix. Além de breves, meus filmes e séries são engraçados e até permitem que você esqueça essa porcariada toda. Vambora:

Big Mouth

Superando até mesmo a quarta temporada  do  depressivamente maravilhoso Bojack  Horseman, Big Mouth é a maior animação para adultos do ano. Com um texto que seria no mínimo obsceno na boca de atores reais, a série de 10 episódios conta a história de um grupo de pré-adolescentes entrando na puberdade. Os primeiros pelos, a masturbação, a menstruação e o despertar sexual, coisas para nós tão familiares (se não for familiar pra você, sério, fecha esse texto) ganham um tom ácido com o Monstro Hormonal. A série já foi renovada pra segunda temporada e é ótima.

Atlanta

Demorou, mas a super campeã do último ano (ganhou Globo de Ouro e Emmy) chegou agora em dezembro no catálogo. Donald Glover criador, roteirista e protagonista da porra toda, é um fudido que vê uma oportunidade de melhorar de vida como agente do seu primo, um rapper em ascensão. A série é boa por fugir dos sitcoms “claquéticos” que ainda perambulam por aí, e por não ser exatamente chapa branca (sem trocadilhos, já que a afirmação negra é quase fio condutor da coisa toda). É hilária e logo nos primeiros episódios tem uma das melhores piadas sobre maconha do ano.

Archer

Eu como grande fã de animações para adultos (vide Big Mouth mais acima e Family Guy, Bojack, American Dad e tantas outras na vida toda) me surpreendi ao dar uma chance pra Archer nesse ano. Logo o piloto vem comprovar que aquela descrição da Netflix continua sendo ruim demais da conta.

Archer na verdade é um filha da puta egocêntrico, sem noção e narcisista que nas horas vagas se dedica ao ofício de melhor agente secreto do mundo. A turma da ISIS, a agência, ainda conta com uma secretária ninfomaníaca, um hilário cientista obscuro (talvez um dos melhores personagens do universo “animático”) e meia dúzia de estereótipos irresistíveis. Na Netflix a série tem mais de 80 episódios de 20 minutos.

A Visita

Bora deixar as coisas mais elaboradas com um filme que mistura humor e terror com raríssima felicidade. Quando não é escrachado, até as cenas mais “pesadinhas” de susto são permeadas com um sarcasmo acessível apenas aos olhos mais atentos. A história começa quando dois adolescentes viajam para passar uma semana com os avós. Há um tempo, os velhos brigaram com a mãe e nunca mais voltaram a encontrá-la, mas agora, talvez uns 14 anos depois, eles desejam conhecer as crianças. Os meninos viajam sozinhos e quando chegam lá…

Especial de ano todo com Clarice Falcão

É excelente? Não, mas é até engraçadinho e tem a multitudo Clarice Falcão. É na sua maioria um musical que vai percorrendo com algumas boas piadas os meses do ano. A coisa só começa a engrenar mesmo com a paródia de Águas de Março e com a canção do Primeiro de Abril. Você não vai rolar no chão de rir, mas pelo menos dá pra distrair enquanto não liberam a ceia.

A Babá

Naquela vibe bem de filme americano, os pais de um moleque acham ser uma boa ideia deixar o filho com uma dessas colegiais que também exercem o papel de babá. Tudo iria muito bem se a menina não fosse uma adoradora do demônio e resolvesse fazer um sacrifício junto com alguns amigos na sala de estar da família. É sangrento, engraçado e bom pra tomar uns sustinhos em 85 minutos.

Bom, chegamos ao fim da listinha e por  mais que todo mundo diga que o Natal é uma festa, o que a gente  queria mesmo é que ele fosse uma festa nível Projeto X.

Boa sorte.